quinta-feira, 1 de abril de 2010

Nomes femininos no Rock, uma história de homenagens e lendas

Títulos de músicas com nomes femininos sempre fizeram parte do universo do Rock desde a sua criação nos anos 50. Os precursores acostumaram-se a prestar homenagens ao sexo feminino e estas poderiam tanto ir para seus casos amorosos, como para a mãe, a tia, a avó, a prima a cunhada ou, simplesmente, porque soava bem.

Em 1958, no mesmo ano em que Danny And The Juniors cantava "Rock And Roll Is Here To Stay, It Will Never Die", Chuck Berry emplacava o single Carol, cuja letra falava sobre o temor de um garoto que precisava aprender a dançar para não perder a sua amada Carol. Tempos depois, a música foi coverizada pelos Beatles e os Rolling Stones.

Eleanor Rigby
Passado o grande impacto ocorrido nos anos 50 com o surgimento do Rock’n’Roll, a cena musical viria a se impressionar nos anos 60 com a 'Beatlemania'. E uma das composições mais conhecidas do quarteto de Liverpool é Eleanor Rigby.

Segundo 'Sir James' Paul McCartney, Eleanor é o nome da atriz que contracenou com os Beatles no filme "Help!" (1965) e o complemento Rigby foi tirado de uma loja de conveniências. Só que foi cogitado que o título, na verdade, fora inspirado no nome de uma mulher sepultada em um cemitério situado perto da St. Peter's Church, justamente o local onde John Lennon e Paul McCartney haviam se conhecido em julho de 1957. Na lápide ainda existe uma menção a Father Mackenzie, que também consta na letra de Eleanor Rigby. Todavia, os as evidências sempre foram negadas por Paul McCartney.

Coincidência ou simples charme, o que se pode dizer é que os significados destes títulos com nomes femininos acabam quase sempre voltando para algo positivo. No Grammy Awards de 1966, os Beatles conquistaram o prêmio de melhor música por Michelle e Paul McCartney o de melhor performance vocal por Eleanor Rigby. Afora isso, Revolver (1966) levou o troféu de "melhor capa de disco".

Dois anos depois, os Beatles voltaram a atacar com Julia, faixa do White Album, uma homenagem de John para sua mãe, Julia Lennon. Curiosamente, Eleanor Rigby e Julia saíram juntas na trilha do álbum Love, compilada e remixada para um espetáculo do e Cirque du Soleil em 2006.

Há ainda títulos que sugerem que o nome seja de alguma mulher, mas o humor fala mais alto, caso de Martha My Dear, composta por Paul McCartney, feita em homenagem à sua cadela. A polêmica também entra em cena com Lucy In The Sky With Diamonds, do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967). O título trazia as iniciais LSD, fazendo com que fosse banida de algumas rádios, mas na verdade ela foi inspirada em um desenho feito por Julian, filho de John Lennon. Lucy O' Donnell era uma garotinha que se sentava ao lado de Julian na Heath House School.

Angie
Outro exemplo de mistério e lenda no título é a balada Angie dos Rolling Stones, que obteve o primeiro posto na parada de singles da Billboard em 1973. Assim como Eleanor Rigby dos Beatles, há diversos rumores que cercam o título desta faixa do álbum Goats Head Soup (1972). O maior deles aponta que ela teria sido escrita para a ex-mulher de David Bowie, Angie Bowie, mais uma das centenas de "amigas íntimas" de Mick Jagger.

Dizem ainda que esta teria sido a forma que Mick Jagger encontrou para se desculpar de Angie, que supostamente havia flagrado Mick e Bowie na cama. Outra corrente afirma que a letra sugere que estejam falando a respeito da relação de Jagger com Marianne Faithfull, que se encerrou em 1969. Mais uma possibilidade, a mais cabível, é que Keith Richards - que assina a faixa ao lado de Jagger - tenha escrito-a para sua filha Angela "Dandelion" Richards, nascida a 17 de abril de 1972, ano do lançamento de Goats Head Soup.

Beth
A balada Beth do Kiss é mais um caso curioso. Embora tenha feito enorme sucesso, a música por pouco não foi sacada do álbum Destroyer (1976), já que originalmente seria apenas o lado B do single de Detroit Rock City. Gene Simmons e Paul Stanley estavam receosos em incluí-la, mas um DJ americano de rádio colocou-a por descuido no ar e a composição de Peter Criss e Stan Penridge - originalmente chamada Beck e gravada no Demo-Tape da banda Lips - teve enorme acolhida. Além de ser o primeiro disco de ouro do Kiss em formato single, recebeu o prêmio no 'People's Choice Awards' de 1977.

O baterista e vocalista Peter Criss certa vez afirmou que Beck falava sobre sua esposa à época, Lydia, mas tempos depois reconsiderou e disse tratar de Becky Brand, namorada do guitarrista Michael (Mike) Brand do Chelsea, grupo que deu origem ao Lips.

Segundo Criss, a hipocondríaca Becky estava sempre doente e vivia interrompendo os ensaios. Até que numa ocasião ela telefonou no meio de um ensaio e Criss rascunhou o que o guitarrista Michael estava falando para Becky: "Beck, I heard you calling but I can't come home right now...". No final das contas, o diálogo virou a letra e bastou trocar Beck por Beth.

Whole Lotta Rosie
A letra de Whole Lotta Rosie, clássico do álbum Let There Be Rock (1978) do AC/DC fala sobre uma mulher obesa, Rosie, que tinha tido uma relação sexual com Bon Scott na Tasmânia. Apesar do peso (aproximadamente 120Kg), o falecido vocalista havia dito que a experiência fora uma das melhores de sua vida sexual.

O guitarrista Angus Young confesso que Bon Scott certa vez voltou à Tasmânia e encontrou Rosie bem mais magra, fato que o desapontou. Mesmo assim, Rosie sempre foi reverenciada pelo AC/DC e em diversos shows entra em cena como uma boneca inflável gigante, como consta no vídeo Live At Donington.

Vera
A faixa do cultuado álbum conceitual The Wall, lançado em 1979 pelo Pink Floyd, faz referência à cantora inglesa Vera Lynn, nascida em 1917. A letra traz: "Does Anybody Here Remember Vera Lynn?/Remember How She Said That We Would Meet Again Some Sunny Day?".

O conceito de The Wall era tratar da vida fictícia de um anti-herói chamado Pink, que tinha perdido o pai na Segunda Guerra Mundial e Vera Lynn fez sucesso justamente nesta época, com a música We'll Meet Again, de 1939.

My Michelle
A música My Michelle, composta por Axl Rose e Izzy Stradlin, saiu no platinado álbum de estreia do Guns N' Roses, Appetite For Destruction (1987), fala a respeito de uma conhecida da banda, Michelle Young, que tinha sido amiga da primeira namorada do guitarrista Slash.

De acordo com o vocalista Axl, certa vez ele e Michelle estavam no carro quando ouviram Your Song de Elton John no rádio. A garota logo comentou: "Eu sempre quis que alguém escrevesse uma música para mim". Dito e feito.

Curiosamente, Michelle Young é a garota que aparece no começo do videoclipe da música Welcome To The Jungle, outra faixa de sucesso de Appetite For Destruction.

Outros exemplos
Basta puxar pela memória que rapidamente encontramos hits como Izabella (Jimi Hendrix), Layla (Eric Clapton), Barbara Ann (The Beach Boys), Carol (Rolling Stones), Sara e Johanna (Bob Dylan), Kayleigh (Marillion), Abigail (King Diamond), Little Sheila (Slade), Amanda e Magdalene (Boston), Rhiannon (Fleetwood Mac), Jamie's Cryin' (Van Halen), Madalaine (Winger), Sheena Is A Punk Rocker e Judy Is A Punk (Ramones), entre dezenas de outras que não se tornaram hits, mas têm a mesma ligação.

Só que algumas bandas foram além e fizeram deste recurso quase que uma tradição, caso da norte-americana Toto, com Angela, Goodbye Elenore, Pamela, Melaine, Carmen, Manuela Run, Lorraine, Lea, Anna e um de seus maiores hits, Rosanna, faixa do álbum Toto IV (1982). O mistério sobre o título permanece sem esclarecimento, embora alguns digam que a homenageada seria a atriz Rosanna Lauren Arquette, ex-namorada do tecladista Steve Porcaro. O autor da música, David Paich, nega.

Outro grupo que tradicionalmente incluiu títulos assim foi o inglês Status Quo, como se vê no álbum Ma Kelly's Greasy Spoon (1970) e em músicas como Elizabeth Dreams, Antique Angelica, Caroline, Claudie, Joanne, Sheila (cover do The Satins) e Lucille (de Albert Collins e Little Richard).

O falecido Phil Lynott (vocal e baixo), líder do Thin Lizzy, homenageou sua mãe Philomena Lynott em Philomena, sua avó Sarah Lynott em Sarah, além de Sweet Marie, na qual falava sobre a solidão de estar na estrada, longe de casa e dos entes queridos. Outra muito conhecida da banda é Rosalie, que faz parte do álbum Fighting (1975), na realidade um cover de Bob Seger (originalmente do álbum Back In '72), músico e compositor norte-americano que também incluiu vários nomes femininos em títulos (Evil Edna, Louise, Betty Lou's Gettin' Out Tonight e I Can't Save You Angelene).

Mesmo que nenhuma destas tenha sido criada por causa do real significado do nome, a maioria obteve sucesso e, portanto, não há como negar que a ligação surpreende, especialmente se formos analisar os grupos mais ligados ao Gothic, como The Mission (Severina, Fabienne e Amelia), The Sisters Of Mercy (Alice, Lucretia My Reflection e Marian), Charlotte Sometimes (The Cure) e Christine (Siouxie & The Banshees). Alice, por exemplo, significa 'a verdadeira', enquanto Fabiene significa 'fava que cresce e predispõe a pessoa a ter um sucesso cada vez maior em todos os seus empreendimentos'.

O grupo norueguês Theatre Of Tragedy, que recentemente se apresentou no Brasil, foi além e fez do álbum Aégis (1998) um verdadeiro tributo ao folclore que envolve o sexo feminino, em faixas como Cassandra, Lorelei e Angélique.

Uma outra hora falarei sobre a utilização de nomes artísticos femininos em bandas. Exemplos? Alice Cooper, Bathory, Lizzy Borden, Angelica, Britny Fox, Lillian Axe, Vanessa...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Azar?

Tudo corria bem na volta do "Wacken Open Air" (ALE) até que chegou o momento de fazer uma conexão no aeroporto de Heathrow, em Londres. A companhia aérea British Airways atrasou o voo vindo de Frankfurt e quando saíamos da aeronave foi aquela correria. Não estou dizendo "correria" no sentido figurado, mas literalmente, pois todo o grupo saiu de forma insana como se estivesse disputando uma prova olímpica. Resultado: perdemos a conexão e vimos o avião da Varig decolando. Imagine a sensação. Agora, imagine você a alegria de não ter um centavo no bolso, dentro de um aeroporto gigante, de madrugada e sem saber o que fazer. Mas que azar, pensei...

A fila do desembarque e a passagem pela imigração ainda revelaram grandes emoções, com um outro voo vindo de algum país do Oriente Médio. Óbvio que havia tensão no ar. Aí, comecei a falar ao meu amigo Carlo Antico: "Fudeu, oIhe pra trás!" Ele, com toda sua tranquilidade, só teve tempo de rir e falar: "Calma, meu". Tudo bem, segui com minha apreensão e passamos sem grande problemas, com Airton Diniz, que liderava aquele pequeno grupo da revista Roadie Crew com a Maria José e a Vera Diniz, explicando a nossa situação.

Depois foi aquele sufoco até conseguirmos falar com algum funcionário da British Airways, com diversos setores do aeroporto às escuras. Felizmente, uma portuguesa que trabalhava na companhia entendeu nosso desespero e agilizou para que conseguíssemos um táxi para ir ao hotel – com todas as despesas pagas pela empresa aérea. No começo ela só falou em inglês, mas "alguém" (eu mesmo!) falou algumas palavras mais fortes – "Fudeu! Olha que merda essa British Airways! E agora?" – e a funcionária, de repente, começou a nos entender melhor. A Maria José brincou comigo, dizendo: "A sua braveza deu sorte pra gente, Batalha!" Depois, caímos na risada.

A "tuga" ajudou, fez todo o trâmite e, enfim, pegamos dois táxis. O meu, junto com um casal de norte-americanos. Claro que fui direto para o lado do motorista achando que já ia sentar, mas aí todos riram alto e os americanos falaram: "We're in London". O motorista só deu uma risada e disse: "Yes, mate. This is my seat". Claro que fiquei com cara de otário e falei: "Sorry. I prefer to sit in the passenger's seat". Mancada inesperada mas corriqueira, segundo o "motora". Todos riram e fomos parar no hotel Renaissance, que não ficava tão longe. É, só no dia seguinte descobri que ficava longe de tudo, porque se era perto do aeroporto é óbvio que ficava bem afastado de Londres, a cerca de 25 quilômetros.

Instalados no quarto do hotel, que se seu fosse pagar a estadia estaria parcelada até hoje, falei para ao Carlo Antico que como eles pagariam tudo, podíamos comer. Pedimos duas pizzas pelo telefone, comemos e "desmaiamos" de cansaço.

No dia seguinte estávamos "livres" e o pessoal resolveu fazer um city tour por Londres. Tudo bem, eu disse que não tinha um centavo, mas tinha só o dinheiro (em real) para pagar o ônibus do aeroporto de Cumbica até Congonhas e uns trocados para o café e o cigarro. Se não fosse pela ajuda do Carlo, que bancou meu city tour, o meu sonho de infância em conhecer Londres não seria realizado. Desde os acontecimentos em Heathrow, Carlo – que apelidei de "Coleção" pela sua incontrolável mania de comprar CDs "para a coleção" – era o mais sossegado e estava curtindo ter perdido a conexão, enquanto eu estava apavorado pensando que ia ter que "dormir" no aeroporto.

Só quando o táxi que nos levou para o city tour estava próximo a Londres comecei a curtir. Comecei a lembrar de todos os amigos que moraram – ou moram – por lá ou que costumam visitar a cidade com frequência. Lembrei-me dos primeiros anos estudando na Cultura Inglesa e de guardar recortes de reportagens sobre Londres. Para ser bem sincero, eu torrava a paciência do meu falecido pai falando que eu queria ir para Londres. Bem, não deu antes, mas deu na sorte! Não foi possível conhecer toda a cidade, o que já era de se esperar de um rápido city tour combinado às pressas, mas pudemos ver locais históricos como o Royal Albert Hall, Palácio de Westminster – "Crianças, vejam o Big Ben!" –, Tower Bridge, Torre de Londres, Museu de História Natural, Hyde Park e, obviamente, o Abbey Road Studios.

Tudo me impressionou, mas a alegria de ver dois 'beatlemaníacos' como Airton Diniz e Carlo Antico na Abbey Road e em frente ao Abbey Road Studios foi indescritível. Porém, ao invés de tirar fotos na rua (Abbey Road) ou de escrever no muro como fazem os fãs dos Beatles, meu negócio era ver o estúdio. Entrei na recepção e joguei um xaveco que não colou. Vi muito pouco, já que não me deixaram entrar nas salas porque duas bandas estava gravando naquele momento. Enquanto isso, os fãs de Beatles estavam na Abbey Road que, ao contrário do que parece pela capa do álbum em que Paul, George, Ringo e John aparecem atravessando a rua, é muito movimentada. Os ingleses estão acostumados, mas não curtem muito aquele vai e vem de turistas loucos no meio da rua.

Depois do Abbey Road voltamos ao hotel, sem antes passar por um grande apuro com o sonolento motorista ao volante. Na "marginal" a caminho do hotel, ele simplesmente colocou o carro no "piloto automático" e cochilou por várias vezes. Enfim chegamos e, em seguida, nos preparamos para retornar ao aeroporto de Heathrow. De lá, saímos sem grandes problemas para Cumbica. Eu, claro, com 1m90 e sempre sentado na pior assento do avião. Mas valeu, mais um sonho de infância realizado e o azar virou sorte.

Resolvi postar esta história porque hoje, 23 de fevereiro de 2010, o estúdio Abbey Road foi classificado pelo governo britânico como sítio histórico, visando proteger o santuário da música Pop contra quaisquer planos de modificações radicais no imóvel.

Seguindo o parecer do organismo de preservação nacional English Heritage, a ministra britânica da Cultura, Margaret Hodge, situou o estúdio na segunda mais alta categoria de locais a serem preservados. Ao tombar o edifício no Grau 2, poderão ser feitas modificações no interior do imóvel, mas quaisquer reformas propostas terão que respeitar o caráter e a preservação dele.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Black Sabbath: primeira obra do Heavy Metal chega aos 40 anos

No post de 23 de novembro de 2008 ("Volume 4: a descoberta") falei sobre o meu primeiro contato com o Black Sabbath e, por consequência, com o Heavy Metal. Sendo assim, esta data não poderia passar em branco pois, curiosamente, aos 40 anos de idade vejo o primeiro álbum lançado por Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward também chegar a esta marca. Em sentido amplo, o Heavy Metal faz quarenta anos hoje: 13 de fevereiro de 2010.

Alguns estarão curtindo o feriadão de Carnaval, mas fiquemos aqui reverenciando esta obra fantástica e misteriosa, que serviu de referência para todos os seguidores da música pesada. Abaixo, reproduzo o texto publicado na edição #100 da revista ROADIE CREW sobre o álbum "Black Sabbath".

Sexta-feira chuvosa, dia 13 de fevereiro de 1970. A noite cai e os vestígios da escuridão se amoldam às árvores escurecidas. A longa noite macabra se inicia. Ainda perto da lagoa uma jovem garota espera. Ainda que ela acredite ser ela mesma etérea, sorri tenebrosamente ao tocar de sinos distantes. De repente, um calafrio da cabeça aos pés. O que é isso que se levanta à minha frente? Um vulto preto que aponta para mim. Viro rapidamente e começo a correr. Descobri que sou o escolhido. E a chuva continua caindo...

Sob este contexto, com uma proposta macabra e soturna, o Black Sabbath gravou seu álbum de estreia. Tendo uma mesa de quatro canais à disposição no Regent Sound Studios – localizado na Tottenham Court Road, em Londres (ING) – e com 600 libras inglesas para gastar, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward montaram seus equipamentos como se fossem fazer um show. Os músicos, que àquela altura faziam shows seguidos mas tinham pouca, ou quase nenhuma, experiência de estúdio, gravaram o álbum ao vivo e em poucos takes.

O produtor Rodger (Roger) Bain também estava fazendo seu 'batismo de fogo', sendo esta a primeira experiência para uma grande empresa fonográfica. As composições não foram mexidas, mas os efeitos (sino, trovão, chuva, entre outros) foram sugeridos por Rodger e pelos engenheiros de som, Tom Allom e Barry Sheffield. Todos realmente entraram no clima naqueles três dias - 16 a 19 de outubro de 1969 – e Rodger ainda gravou a harpa judaica ('kakei') da faixa "Sleeping Village".

"Black Sabbath" resumiu-se a sete faixas (oito no relançamento em CD), todas envolventes. O disco abre com pesada e cadenciada faixa título, tendo um clima condizente com a proposta sombria. O track list ainda traz "The Wizard", "Behind The Wall Of Sleep", "N.I.B.", "Evil Woman" (cover da banda Crow), Sleeping Village, Warning (cover do Ansley Dunbar's Retaliation) e "Wicked World".

O trabalho veio embalado com uma misteriosa arte – comandada pelo artista Marcus Keef –, que na primeira (e rara) edição ainda trouxe o desenho de uma cruz invertida no encarte com os dados técnicos e o poema "Still Falls The Rain" inscrito no corpo da cruz.

Para a promoção, o empresário Jim Simpson e os funcionários da gravadora Vertigo decidiram lançar um compacto com "Evil Woman" e "Wicked World". Enquanto o Lado B com "Wicked World" fez sucesso, "Evil Woman" foi renegada pelo quarteto.

"Black Sabbath" alcançou o 8º lugar nas paradas do Reino Unido e a 23ª na Alemanha, mas a obra foi além, sendo o marco zero do que viria a ser classificado como Heavy Metal.

Curiosidades:
A casa de aparência mal assombrada que aparece na capa é um moinho histórico que se localiza na vila de Mapledurham, em Oxfordshire/ING (www.mapledurham.co.uk). A imagem da "bruxa", no entanto, ninguém sabe ao certo e cogita-se que teria sido uma atriz contratada para a sessão de fotos;

Na contracapa do LP, Ozzy veio impresso como Ossie Osbourne;

"N.I.B." não significa "Nativity In Black" e nem "Name In Blood". O título faz referência ao apelido dado a Bill Ward por causa de sua barba, que parecia uma ponta de caneta ('pen nib');

"Behind The Wall Of Sleep" tem ligação com a obra de H.P. Lovecraft ("Beyond The Wall Of Sleep);

A gaita tocada por Ozzy em "The Wizard "foi incluída durante as sessões de estúdio por acaso, após Iommi e Butler terem o escutado tocando-a de forma descontraída, como fazia nas longas jams desde os tempos em que atendiam pelo nome Earth;

A reação do pai de Ozzy, John Thomas Osbourne, ao ouvir o LP foi: "Você tem certeza que só anda fumando cigarro?", e ele ainda fez uma cruz de alumínio e uma corrente de pescoço para Ozzy, Iommi, Ward e Butler "para afastar os maus espíritos";

No local onde ficava o Regent Sound Studios hoje existe uma agência do Abbey Bank.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Arquivo Entrevista: TORE ØSTBY (ARK, Conception)

Após deixar a banda norueguesa Conception, o guitarrista Tore Østby se juntou ao baterista John Macaluso (ex-TNT e Yngwie Malmsteen) e formou o ARK. Os dois encontraram em Jorn Lande (Millenium, Yngwie Malmsteen, Jorn), na época ‘frontman’ do The Snakes, o vocalista ideal. O primeiro álbum, "ARK" (1999), obteve grande repercussão na Europa, mas como a distribuição foi fraca a banda não estourou. Já com o line-up estável, com a presença do baixista Randy Coven (ex-Holy Mother, Steve Vai, Steve Morse) e o tecladista Matts Olausson (ex-Yngwie Malmsteen), o ARK obteve o reconhecimento com o lançamento de "Burn The Sun" (2001). Lançado no meio do ano passado na Europa e Ásia, e em janeiro deste ano nos EUA e Austrália, este trabalho marcou uma nova era para o ARK, que daqui para frente só tende a crescer.

Vocês realizaram um grande trabalho no CD "Burn The Sun". Onde foram buscar inspiração para compor este tipo original de música? Podemos chamar isto de o "estilo ARK"?
Tore Østby: Muito obrigado por seus comentários! Nos inspiramos em tudo que somos expostos e no que tem sentido para nós. Os elementos básicos para se criar música são as emoções e as experiências pessoais. Deixamos nossa criatividade nos guiar e deixamos a música fluir de dentro de nossos diferentes sentimentos e situações. Quando compomos, normalmente começamos com as guitarras e a bateria. John e eu nos reunimos para ensaiar, fazer ‘jams’ e em algumas ocasiões Jorn também se une a nós, mas nestas reuniões ninguém sabe o que pode acontecer. Deixamos a música nos levar. Às vezes tocamos durantes horas, sem nenhuma pausa. Sempre gravamos tudo e após alguns dias fazendo essas sessões paramos para ouvir e selecionar o material que foi gravado. Depois disso montamos as estruturas das músicas com o material que mais nos chamou a atenção. Por isso, nossa estrutura de composição é totalmente espontânea, o que vai de acordo com o que disse, ou seja, a música flui com naturalidade. Depois disso Jorn cria as linhas de voz, e Randy e Mats colocam suas particularidades nas músicas como se estivessem gravando o álbum. Acredito que você possa chamar isso de “o estilo ARK”, porque nós não pertencemos somente a um estilo específico. Tentamos ser o mais original  possível e chamamos isso de ‘ARK-music’.

Quem teve aquela idéia de inserir um barulho de uma moeda caindo no chão na música "Heal The Waters"? E quanto aos riffs de guitarra e aquele duelo de guitarra e teclado no solo?
Tore: A idéia do barulho de uma moeda girando veio de nosso produtor, Tommy Newton. Como o tópico da letra é completamente anti-capitalista achamos que combinaria, ainda mais na parte em que foi usado. O refrão que vem na seqüência do efeito da moeda dá uma atmosfera especial e é uma subida forte para o fim da música. Os riffs de guitarra são baseados em uma mistura de harmonias orientais e ocidentais, feita com energia, potência e intensidade. A respeito do solo, quando Mats entrou no estúdio para gravar a sua parte ele não tinha escutado sequer um acorde desta música. Ele somente teve contato com nosso primeiro álbum e isto foi proposital, porque queríamos que ele fosse o mais espontâneo possível. A idéia era dividir os solos, mas Mats começou a improvisar. Na segunda vez que tocamos a mágica aconteceu. Achei o ‘take’ dele brilhante e conclui que seria até vergonhoso dividi-lo em partes. Mantivemos o solo dele inteiro e depois eu adicionei uma segunda harmonia em cima do que ele tinha gravado.

O baixo fretless na faixa "Torn" passa uma vibração que remete ao Rush, concorda?
Tore: Sim, você pode levar para esse lado. Eu tive a mesma sensação quando estávamos em estúdio. Randy surpreendeu a todos de forma positiva com sua extraordinária habilidade no ‘fretless’, o que deu um brilho todo especial ao nosso som.

Ainda sobre essa faixa, Jorn Lande faz uma espécie de efeito nos falantes com um jogo de palavras completamente maluco no meio da música. Aquilo também surgiu espontaneamente? Vocês são loucos?
Tore: Jorn está cantando em seu ritual nativo particular. Se somos loucos? Sim, certamente. Eu nunca estive junto com um grupo de pessoas tão loucas como agora. Adoro isso, pois além desta loucura girar em torno da criatividade, é muito divertido!

A faixa-título, "Burn The Sun", tem uma linha mais Hard Rock, especialmente no refrão. É comum vocês incorporarem elementos do Hard no "estilo ARK", considerando que o guitarrista Ronni Le Tekro (TNT) é uma grande inspiração para você, assim como o vocalista David Coverdale é para Jorn Lande?
Tore: Todos nós temos fortes raízes no Hard Rock. Tekro foi provavelmente a razão para que eu começasse a tocar guitarra, mas nós não pensamos em fazer algo parecido com alguém ou alguma outra banda. Quando compomos nós simplesmente seguimos nossos instintos.

Já que você disse isso, poderia me falar de onde surgiu a idéia da música "Just A Little"? Ela conta com elementos mais Pop, que lembram o trabalho do Seal, além de um ‘groove’ vindo da música latina, que é uma coisa que você costuma fazer uso desde os tempos do Conception.
Tore: Sempre gostei muito do som das cordas de náilon. Os estilos de música latina para mim sempre foram coisas ardentes, que me transmitem uma grande paixão e fogo. Também é um estilo que combina muito bem com o Rock, por causa de sua intensidade.

Você vem trabalhando com o produtor Tommy Newton desde a época do Conception. O que ele sentiu quando ouviu as músicas do "Burn The Sun" pela primeira vez? Ele sugeriu muita coisa para incrementá-las?
Tore: Sempre gostei de trabalhar com Tommy. Sua principal preocupação é com o modo e a energia com que você executa as músicas, o que acredito seja fundamental na hora da gravação, não tem essa de fazer pequenas emendas. Ele é um engenheiro de som incrível, muito criativo e tem uma grande paixão no que está fazendo. Ele sempre foi como um integrante da banda durante as gravações. Quando finalizamos a base das composições para o álbum, John e eu fomos para a França para comemorar com um curto período de descanso. Neste período de férias, passando pela Alemanha, nós paramos lá para encontrar Tommy e fazer algumas baladas por lá. Nesta estadia apresentamos algumas músicas e ele simplesmente não acreditou. Instantaneamente ele veio com várias idéias e falou como ia fazer a produção do álbum. Depois que ouvirmos o que ele tinha para nos dizer, concluímos que ele havia compreendido nossa proposta. Nós mantivemos os arranjos da maneira que foram criados mas, sem dúvida, Tommy contribuiu muito para o resultado final. Ter a contribuição de uma pessoa como ele é sempre um prazer!

Falando a respeito das letras, parece que vocês gostam de escrever sobre o espaço, a natureza e o universo, não?
Tore: As letras são um espelho de nossas vidas, personalidades, ideais e como nos refletimos a respeito do que está ao nosso redor. As letras são um equilíbrio e um distúrbio do que está dentro e fora de nossas vidas. E tudo isso também está conectado fisicamente com os meios. Natureza, corpo, universo. As histórias estão sendo ditas de dentro de nós. Nós falamos muito sobre estes assuntos diferentes, além da emoção particular do núcleo de cada música. Então Jorn e John ordenam todas as idéias. A maioria delas foi escrita e gravada na Alemanha e isto, mais uma vez, vem de encontro com o objetivo principal de nosso processo criativo, que é a espontaneidade. Posso citar como exemplo, a "Waking Hour", que teve a letra escrita e os vocais gravados justamente no dia em que os Palestinos declararam o "Dia da Ira" (N.R.: Declarado pelo grupo islâmico radical Hamas em protesto contra a ação do Exército israelense no dia 6 de outubro de 2000). Estas notícias abalaram a nossa atmosfera no estúdio e Jorn cantou com muita emoção, um sentimento que vinha de encontro com toda aquela situação do momento.

Sei que a distribuição do primeiro álbum não foi muito boa, mas como foi a receptividade do público e da mídia?
Tore: Nosso primeiro contrato de licenciamento na Europa foi algo bem estranho e tivemos que rescindi-lo, mas agora o álbum está sendo distribuído pela InsideOut. Entretanto, foi lançado na Ásia, Estados Unidos, Noruega e França por outras empresas bem mais fortes em termos de representatividade e que tornaram as coisas melhores. A “bola” começou a rolar!

Por que vocês relançaram o primeiro álbum com outra capa? Foi algum tipo de exigência da InsideOut?
Tore: Sim, e achamos que foi uma grande jogada, ainda mais porque gostei muito da nova arte da capa.

Ainda sobre os contratos de distribuição dos CDs, os álbuns são lançados na Europa pela InsideOut e na América e Austrália pela Favored Nations ou ainda existe uma outra gravadora?
Tore: Acredito que somente a América do Sul seja o território onde nossos álbuns ainda não foram lançados, mas as negociações estão a caminho. Por isso, a pessoa que estiver interessada aí no Brasil só poderá conseguir comprando a versão importada, através de diversas lojas virtuais. Além disso, existe uma série de varejistas na Internet que está vendendo nosso material. Gostaria de deixar bem claro que gostamos de trabalhar com total liberdade e por isso nós fundamos nossa própria companhia, a Trust Me Records, que licencia os álbuns para a Favored Nations (EUA e AUS), FaceFront (NOR), NTS (FRA), InsideOut (resto da Europa) e Marquee/Avalon (JAP e Ásia). O primeiro álbum saiu nos EUA pela Laser’s Edge. Acho que agora deu para ficar tudo claro (risos).

Como está o trabalho com o novo empresário, Paul Ewing? Ele está conseguindo abrir as portas para a banda ao redor do mundo?
Tore: Está sendo fantástico tê-lo em nosso time! Quando estávamos cuidando dessa parte empresarial, sempre ficávamos atolados de trabalho à medida que as demandas aumentavam. Queremos ficar ocupados somente com a arte, não com os negócios. Então, está sendo um refresco ter uma pessoa que cuide dessa parte para a gente, ainda mais um empresário como ele. Paul é um veterano nessa área, foi vice-presidente da Warner Music asiática por 18 anos. Ele sabe muita coisa da indústria musical e tem contatos em todas as partes do mundo. Estou certo de que ele abrirá muitas portas para a banda.

Atualmente você está morando na França. Como foi sair da Noruega?
Tore: A França é o país da Europa com mais ligação com o mundo das artes. Existe muita inspiração que posso buscar nessa cultura tão rica! O clima também é bem diferente do Norte da Europa e eles ainda tem uma comida incrível, bem como, um vinho fenomenal. Além disso, acho muito bem ir para diferentes lugares e fugir da mesmice. Eu ainda por cima encontrei minha adorável companheira nesse país...

Como foi o show no "Prog Power Festival", nos EUA? Você teve contato com Roy Khan, já que o Kamelot também tocou lá?
Tore: Aquilo foi muito engraçado para mim. Estar no palco com Roy do meu lado direito era comum para mim, mas esta foi a primeira vez na vida que eu vi sua performance de palco do lado de fora. Foi uma situação estranha. Roy é um dos meus melhores amigos e nos chegamos a morar juntos por dois anos antes de eu me mudar para a França recentemente. Quer saber mais? Nós estamos nos vendo muito mais agora do que na época em que fazíamos as turnês com o Conception. Há cerca de um mês eu fui a um show do Kamelot em Montpellier (FRA). Foi matador!

Você ainda tem intenção de fazer um projeto paralelo com Roy Khan? Qual a sua opinião sobre o Kamelot com ele nos vocais?
Tore: Na realidade nós já temos muito material composto para este projeto. Faz dois anos que trabalhamos em cima disso nas horas vagas. Quanto ao Kamelot, acredito que a banda deu um passo gigantesco quando Roy assumiu o microfone. Ele também é um grande compositor e moldou a banda da forma exata e coesa com esse som mais épico. Está sendo muito legal testemunhar a evolução da banda e ver Roy nessa posição de destaque. Este show em Motpellier foi realmente forte, com Roy totalmente a vontade no palco. Ele está com uma performance realmente matadora, assim como a banda.

Falando em Conception, você ainda tem contato com o baterista Arve Heimdal e o baixista Ingar Amlien?
Tore: Lógico, estamos sempre em contato. Nós sempre fomos e seremos grandes amigos. Ingar está trabalhando com sua nova banda, Crest Of Darkness. Acho muito interessante que três ex-músicos do Conception estão se estabiliazndo com suas novas bandas. Estivemos juntos por muito tempo, dividindo várias experiências e sempre seremos como uma família!

Você compôs quase todas as músicas do Conception. O que você sente quando ouve músicas como "Building A Force", "My Decision", "Under A Mourning Star", "Gethsemane", "Flow" e "Reach Out", que são muito diferentes do estilo do ARK?
Tore: Elas são diferentes mas, ao mesmo tempo, têm alguma semelhança com o ARK. Eu comecei a ouvir o Flow novamente e adorei este álbum! É muito raro eu ouvir os trabalhos que eu mesmo participei, mas redescobri este álbum e ele me cativou. É óbvio que a energia é diferente, os músicos são outros, mas eu gosto muito das duas bandas. É claro que eu tenho grandes lembranças quando ouço Conception.

Vocês gravaram um vídeo (VHS) do Conception na turnê do "Parallel Minds" num show de abertura para o Gamma Ray na Alemanha. Como foi a resposta dos fãs ao "Parallel Minds"? Acredito que a música mais saudada foi a "Roll The Fire", não?
Tore: Este foi o álbum que nos colocou em contato com todos os fãs de Metal ao redor do mundo. Foi uma época muito legal! Éramos bem jovens, inexperientes e totalmente empolgados. Um dia estávamos numa sala de um estúdio na Noruega e, de repente, nos vimos na estrada, viajando para tocar. Aquilo era a realização de nosso sonho, levar o nosso som para as pessoas! A música "Roll The Fire" se tornou mesmo bem popular em todos os clubes da Europa e acredito que tenha ido bem em todos os países. Aliás, a resposta dos fãs foi enorme, além das nossas expectativas!

Ainda sobre a "Roll The Fire", como foi trabalhar com Andreas Marschall, que produziu o videoclipe desta música?
Tore: Passamos muito frio. Era um dia típico de outubro e parecia que estávamos dentro de uma geleira no Norte da Alemanha. Andreas foi muito legal, ele ainda está produzindo vídeos?

Acredito que sim. Ainda sobre o Conception, é verdade que a banda acabou por causa das vendas do álbum "Flow"? Considero o "Flow" um grande álbum, mas ele foi incompreendido pelos fãs e a imprensa mundial, se comparado ao "Parallel Minds" ou ao "In Your Multitude".
Tore: Não foi esta a razão de nossa separação. Naquela época já estávamos juntos havia mais de dez anos e todos estavam ávidos por novas experiências. Comecei a trabalhar com John e gravamos a base do que seria o primeiro álbum do ARK em 1995. Eu estava pronto para iniciar o ARK, Ingar queria fazer algo na linha do Black Metal extremo, Arve juntou-se a uma banda de Hard Rock/Blues e Roy encontrou sangue novo no Kamelot. Ou seria o ‘Youngblood’ no Kamelot (risos). Aquele foi o momento ideal para que ocorresse a nossa separação e seguir caminhos diferentes.

No pôster promocional do "Flow" está escrita a frase; “Direto ao futuro”, mas eu acredito que o futuro seja mesmo o som que o ARK está fazendo. Você concorda que o ARK está longe dos modismos e não tem um estilo definido?
Tore: Não posso dizer que estamos ignorando modas e um estilo, porque sempre observamos tudo que está ao nosso redor, mas nós não fazemos um exame do que está ou não na moda quando estamos criando. A gente não liga para isso, nós fazemos música que soa do jeito que gostamos, sem querer saber se estamos sendo inspirados por um hit atual ou por alguma coisa do passado. O ARK é livre!

O vocalista Jorn Lande se juntou ao Masterplan, que conta com os ex-Helloween, Roland Grapow e Uli Kusch). Você acredita que isso possa atrapalhar o trabalho do ARK?
Tore: Não. Jorn nos explicou tudo de forma clara e disse que só gravaria o álbum com eles se as coisas não interferissem no trabalho do ARK e assim nós demos permissão. Todos nós estamos envolvidos com outros músicos em diferentes projetos. Vou falar de novo: o ARK significa liberdade (risos)!

Vocês irão começar a gravar o novo álbum do ARK em maio. Já existe alguma música pronta? Vocês irão manter o mesmo estilo do "Burn The Sun"?
Tore: John está vindo para a França e em breve iremos começar a compor as músicas para o novo álbum. Eu deverei me encontrar com Jorn na Noruega antes disso. Então, eu e Jorn iremos para Nova York nos encontrar com John. Esté será o método que faremos as novas composições. Acredito que entraremos em estúdio no começo do nosso verão. Estilo? Depende de como vai estar nossa disposição no momento (risos). Bem, é muito cedo para falar alguma coisa. Temos muitas novas idéias rolando mas, me desculpe, isso nem eu sei!

Você se apresentou no Brasil com o DC Cooper. Quais foram suas impressões sobre o país? Existe alguma possibilidade de realizar um show do ARK por aqui?
Tore: Foi uma experiência muito legal! Passei grandes momentos durante a semana que estive no Brasil! Os fãs são muito passionais e têm muita energia! Me encontrei com pessoas fantásticas, e me tornei um torcedor fanático pelo Corinthians! Os brasileiros parecem ser bem compenetrados a apaixonados no que estão fazendo e esta é uma grande qualidade! Eu poderia morrer por uma nova chance de me apresentar no Brasil. O mais cedo que o ARK chegar às mãos dos fãs no Brasil, melhor!

Você pretende incorporar alguns elementos e ritmos brasileiros ao som do ARK?
Tore: Tenho quase certeza que sim, já tenho muitas inspirações. Gosto muito da tensão e excitação na música e eu realmente gostaria de ir a fundo na cultura musical do Brasil. Gosto muito dessas batidas tribais!

Pelos lados do Metal, você gosta de alguma banda do Brasil?
Tore: O Sepultura gravou grandes álbuns e eu aprecio muito a maneira como eles incorporaram esses elementos da música folclórica brasileira ao som pesado, com seus riffs “colossais”. Não sou tão familiarizado com o som da banda depois da saída do Max. O Angra é outra grande banda de Metal progressivo do Brasil.

Entrevista publicada na edição #39 da revista ROADIE CREW (abril de 2002)