domingo, 1 de junho de 2008

Arquivo Entrevista: K.K. DOWNING & RIPPER OWENS (Judas Priest)

Vinte e sete anos se passaram desde o lançamento de "Rocka Rolla", primeiro álbum da banda inglesa Judas Priest. Mas, o título de "Metal Gods" foi conferido tempos depois, quando foram lançados álbuns clássicos que representam com a máxima fidelidade o estilo Heavy Metal. Toda a discografia do Judas Priest merece respeito por parte dos fãs, já que quase a totalidade das composições pode ser encarada como sinônimo de Heavy Metal. E, agora, com o lançamento de "Demolition", os guitarristas K.K. Downing e Glenn Tipton, o baixista Ian Hill, o baterista Scott Travis e o vocalista Tim ‘Ripper’ Owens esperam eternizar mais algumas composições. A caminho do Brasil pela segunda vez, onde irão realizar shows no próximo mês de setembro, a banda se mostra ansiosa e, ao mesmo tempo, contente para mostrar aos brasileiros o poder de fogo do novo trabalho. Na entrevista a seguir, Kenneth Kevin ‘KK’ Downing e Tim ‘Ripper’ Owens dão uma geral em toda a carreira do Judas Priest e analisam o mais recente lançamento. Confira!

Vamos supor que um jovem compre o álbum "Demolition" (2001) e logo depois o "Rocka Rolla" (1974). Vocês acreditam que ele concordará que é a mesma banda que está tocando?
Kenneth Kevin Downing: Sei o que você está querendo dizer, mas não sei direito o que responder (risos). Bem, são quase as mesmas pessoas tocando e, obviamente, "Rocka Rolla" foi elaborado há bem mais tempo que o "Demolition". E bota tempo nisso! Passamos por uma série de mudanças tanto individualmente como com a banda desde o lançamento de "Rocka Rolla" até os dias de hoje.
Tim 'Ripper' Owens: Não tenho nenhuma dúvida de que aceitará. O jovem que comprar o "Demolition" ele vai voltar e começar a querer conhecer toda a discografia da banda. Eu fui um destes jovens na minha época! Primeiro comprei o "Screaming For Vengeance" e logo depois o "Sad Wings Of Destiny" e adorei os dois. Se um jovem for pesquisar a banda e começar a comprar toda a discografia verá toda a versatilidade e força do Priest.

Mas, analisando detalhadamente o novo álbum, as partes mais leves da faixa "In Between" têm algo do velho Judas Priest, da época do "Rocka Rolla" e "Sad Wings Of Destiny", concordam?
K.K. Downing: Sim, concordo. Neste novo trabalho você encontrará várias passagens que chegam a lembrar o que fizemos em toda nossa carreira. Não acredito que isto tenha sido feito de forma intencional, mas depois do Jugulator apenas fomos criando as composições de forma bem natural e por isso existe uma grande variedade.
Tim Owens: Foi apenas a maneira como foram criadas estas partes, mas acho que In Between é uma música com uma cara um pouco mais moderna. Nada é feito de forma intencional, é apenas o Judas Priest compondo uma música e por isso sempre haverá alguma conexão, por mínima que seja, de algo que a banda já apresentou. Na verdade, acho esta música uma das minhas preferidas do novo CD, a outra é Hell is Home.

Acredito que "Demolition" seja mesmo uma mescla do estilo de composição do "Jugulator" com o velho Priest.
K.K. Downing: Provavelmente isto saiu de nossas emoções, do que estávamos sentindo no momento, não foi uma escolha da banda. No propusemos a trabalhar da forma mais natural possível, por isso o álbum tem pegada e o som é bastante versátil. Estivemos o tempo todo no controle de nossas ações e no que estávamos compondo, pois se não tivéssemos isto, o álbum iria soar como uma compilação de grandes ‘hits’ e as músicas poderiam parecer com "Victim Of Changes", "Breaking The Law" ou "Living After Midnight". Isto seria forçado e não seria fácil de fazer, pois acredito que estas músicas são insubstituíveis.
Tim Owens: Eu também concordo, para mim remete ao estilo clássico do Priest repassado para o ano 2001. As pessoas devem entender que atualmente existem diferentes tipos de sonoridades, nova tecnologia e outros sons de guitarra, entre outros fatores. O Priest sempre quis evoluir e acredito que daqui a algum tempo poderão existir músicas do "Demolition" que se tornarão clássicos da banda.

Por que vocês incluíram no "Demolition" músicas mais leves, como "Lost And Found" e "Close To You", que são muito boas mas bem diferentes do estilo adotado no "Jugulator"?
K.K. Downing: Acredito que seja porque o Judas Priest está sempre aberto a mudanças a cada trabalho que lançamos. Quando gravamos "Point Of Entry" as pessoas disseram que havíamos mudado e o mesmo ocorreu quando lançamos o "Turbo", "Painkiller" e o "Jugulator". O Judas Priest não é como o Status Quo ou o AC/DC, que mantém sempre a mesma linha, nós gostamos de fazer mais experimentações. Se isto é bom ou ruim, somente os nossos fãs devem tirar as suas próprias conclusões. E, obviamente, acho AC/DC e Status Quo grandes bandas de Rock.
Tim Owens: É uma progressão natural. Primeiro de tudo, depois do "Jugulator" queríamos fazer algo que mostrasse um pouco mais de melodia, não no álbum inteiro, mas em algumas partes e também provar para as pessoas que eu não sou um cara que só sei cantar de forma diabólica o tempo inteiro. Gostei muito destas músicas e me remetem aos bons tempos de "Here Comes The Tears", "Before The Dawn" e "Last Rose Of Summer".

No site judaspriest.com existe uma seção onde os fãs escolhem suas músicas preferidas do "Demolition" e as faixas "Metal Messiah" e "Subterfuge" até o momento estão na liderança (N.R.: até 23 de julho). A preferência dos fãs está realmente certa?
K.K. Downing: Também gosto muito da "Metal Messiah" porque é bem diferente do usual. É difícil analisar porque o álbum como um todo é também uma grande novidade para todos da banda e estamos com certeza curtindo este momento. Por isso é mais complicado tecer críticas ao nosso próprio trabalho.
Tim Owens: Eles sempre estão certos, mas as minhas músicas preferidas são "Lost And Found", "In Between" e "Hell is Home".

Chegamos a ler na Internet rumores de que a primeira pré-produção do "Demolition" foi recusada pela gravadora. Isto é verdade?
K.K. Downing: Não isto não é verdade, não tem o menor fundamento. Logo na entrada do nosso site oficial existe uma advertência falando exatamente isto. Nós mesmos cuidamos do que sai em nossa home-page e todos devem confiar apenas no que está escrito lá.
Tim Owens: Não, a gravadora nunca faria isto. Estes rumores sempre atrapalham, mas acredito que foi porque anunciamos o lançamento bem antes de finalizar o álbum. Trabalhamos duro em cima do "Demolition", demorou muito para ficar pronto e tivemos um tempo de folga no meio das gravações. Todos nós temos nossas famílias e isto, quer você queira ou não, influi de alguma forma, todos tem problemas particulares que não podem ser deixados de lado, principalmente no âmbito familiar. Mas, quero deixar claro que nada foi recusado pela gravadora, seja no Japão ou nos Estados Unidos.

Tim, quando você foi gravar o "Jugulator" todas as músicas estavam prontas, mas agora no "Demolition" você pôde participar de forma mais ativa no processo de composição? Quais novos elementos você incorporou ao som do Judas Priest?
Tim Owens: Sim, eu até poderia, mas ainda é um processo muito demorado até que eu me envolva mais diretamente com o processo de composição. Esta é uma das coisas que deverá acontecer com o passar do tempo, de forma lenta. A melhor coisa que aconteceu para mim neste novo álbum é que ele foi escrito para que eu colocasse a minha voz e este já é um grande diferencial. Tenho plena consciência do passado de meus companheiros de banda e respeito muito isto. Adoro o "Jugulator" mas ele foi escrito para que outra colocasse a voz e no "Demolition" tudo foi preparado para que eu desenvolvesse ainda mais o meu potencial como vocalista e me deixou mais à vontade. Quanto à outra pergunta, tenho certeza de que a alta qualidade musical do Priest sempre estará forte e presente, mas acredito que injetei um pouco mais de juventude e agressividade ao som.

Mas você concorda que "Metal Messiah", "Subterfuge" e algumas partes de outras músicas têm influências do Metal norte-americano, algo como Rob Zombie?
Tim Owens: Sempre existirá uma coisa que vai influenciar a outra. Gosto de bandas mais atuais, mas se temos em mãos alguma coisa legal não vejo a razão de deixar de lado, principalmente um riff de guitarra. Sei o que você estava querendo dizer com a pergunta e concordo que existem partes que soam mais modernas. Gosto muito da "Subterfuge".

Na música Metal Messiah existem toques de música Indiana. Por que vocês resolveram usar estes elementos?
Tim Owens: Existe um restaurante indiano em Londres, onde gravamos o álbum e sempre ficávamos ouvindo aquela música ambiente da Índia, mas não sei como isto foi incorporado ao som, apenas saiu assim. Muitas vezes quando você compõe ou encaixa as letras é muito difícil descrever com detalhes o que estava passando em nossa cabeça naquele exato momento.

E existe alguma razão especial por terem escolhido "Machine Man" como o primeiro single?
Tim Owens: A gravadora escolheu, mas não discordamos. Eles queriam "Machine Man", tudo bem. Se eu fosse escolher, provavelmente pegaria outra faixa. A SPV é uma grande gravadora, conta com funcionários competentes e eles sabem o que estão fazendo.

"Machine Man"      é um personagem especial, assim como tivemos o "Jugulator” e o "Painkiller"?
Tim Owens: Acho que sim! Tudo que estiver em cima de uma moto, um personagem, uma criatura fictícia e que corre até a morte, sempre vence. Vejo  “Machine Man” exatamente como “Jugulator” e também como um “Metal God”.

Falando como fã do Priest, você acredita que "Machine Man" tem algo que lembra o álbum "Ram It Down"?
Tim Owens: Não tenho tanta certeza assim, pois para mim parece mais com a música "Exciter" do "Stained Class", aquele toque especial da bateria.

E você buscou algum tipo de inspiração na música Folk da Europa para cantar a faixa "Jekyll & Hyde"?
Tim Owens: Não, nunca ouvi isso! (risos) Somente saiu assim, queria tentar passar a emoção certa para uma música que retrata uma pessoa com duas diferentes personalidades.

Também acho que este tema sobre Dr. Jekyll e Mr. Hyde é bem interessante.
Tim Owens: Não há dúvida quanto a isso, é a mesma coisa que aconteceu com The Ripper.

Vocês tocarão no Brasil no próximo mês de setembro. Os shows terão algo de especial, já que vocês não vêm para cá desde 1991?
K.K. Downing: Sim, será especial, porque quando tocamos pela primeira vez foi um grande festival e tivemos uma série de restrições impostas pela banda 'headliner' (N.R.: Guns N'Roses). Eles nos impediram de usar todo o equipamento de palco que estava disponível. Com certeza, desta vez, poderemos dar aos fãs um show completo do Judas Priest. Estamos ansiosos para voltar a tocar no Brasil.
Tim Owens: Será uma versão aumentada do show completo da turnê do "Jugulator". É um grande show... Um show do Judas... (risos) Vocês poderão cantar e participar intensamente. Os fãs do Judas são bastante fiéis e vocês tem que saber que estamos bastante ansiosos para tocar no Brasil. Eu nunca fui para o seu país e por isso lhes daremos o melhor show do Judas, algo que irão se lembrar para sempre.

No último mês de janeiro Rob Halford tocou aqui novamente na terceira edição do "Rock In Rio" e o público cantou a música "Breaking The Law" inteira sem deixá-lo cantar nenhuma palavra sequer. Eu estava lá e foi algo realmente emocionante. Você espera que os fãs tenham a mesma reação quando vocês vierem para cá em setembro?
K.K. Downing: Certamente, se Rob Halford sozinho obteve esta recepção calorosa, não vejo o porquê o Judas Priest não consiga o mesmo. 

Você tem mantido contato com Rob Halford?
K.K. Downing: Falei com ele, mas isto já faz alguns meses.

Tim, como um fã de Rob Halford, chegou a escutar o álbum "Resurrection" e o ao vivo "Live Insurrection"?
Tim Owens: Ainda não ouvi o álbum ao vivo, mas cheguei a escutar algumas músicas do "Resurrection". É um bom álbum e se ele está de volta ao Metal, melhor ainda!

K.K., quais são suas grandes lembranças do Brasil e do festival "Rock In Rio"? Aqui, o álbum "Painkiller" se tornou uma febre e para muitos é o melhor da carreira do Priest.
K.K. Downing: Me lembro de momentos incríveis que passei no Rio, nunca mais vou me esquecer, mas tenho uma grande esperança de que possamos levar as mesmas lembranças agora que iremos novamente para o Brasil. Quanto ao "Painkiller", a receptividade dos fãs foi maior do que esperávamos. Estávamos muito animados quando o gravamos. Fizemos uma audição especial antes do lançamento e todos aprovaram-no. Cada trabalho tem seu ‘timing’ e o momento certo de ser lançado e se você consegue acertar isto o álbum emplaca e se ocorrer o contrário você ficar perdido. Existem vários fatores para que um álbum obtenha sucesso, você pode acertar uma música que vira hino, ter uma belíssima capa, letras bem escritas. Naquela época do "Painkiller", a Guerra do Golfo estava explodindo e aquele foi o ‘timing’ certo para que o álbum tivesse um grande impacto. O tempo também irá dizer se o álbum se tornará um clássico e me lembro de que no início daquela turnê tocávamos cinco músicas do "Painkiller" nos shows e após alguns meses passamos a tocar apenas duas, porque as pessoas insistiam que queriam ouvir coisas mais antigas. Cada coisa tem seu tempo (risos).

Sei que é muito difícil criar o set list para um show do Judas Priest...
K.K. Downing: (interrompendo) Difícil não, é impossível...

É verdade, mas vocês têm intenção de tocar algum dia músicas não tão clássicas, como "Starbreaker", "Better By You Better Than Me", "Saints In Hell", "Steeler", "Hot Rockin'", "Eat Me Alive", "Night Comes Down", "Locked In", "Heavy Metal" e "Blood Red Skies"?
K.K. Downing: Ufa! (risos) Obviamente é muito fácil para nós voltar a tocar músicas mais antigas e colocá-las no set list dos shows. Atualmente estamos tocando "United" e "Heading Out To The Highway", músicas que não apresentávamos ao público há algum tempo. Mas, os fãs sempre vão querer ouvir músicas como "Metal Gods", "Victim Of Changes", "You’ve Got Another Thing Coming" e lógico que temos que tocar coisas do novo álbum. É difícil, mas estamos contentes em poder trazer de volta as coisas mais antigas. Provavelmente tocaremos... (N.R.: K.K. dá uma pausa e começa a pensar). Existem tantas que colocamos em pauta que acabo até me esquecendo (risos). Bem, acho que vamos tocar "Exciter" e mais algumas outras.

Quais músicas do "Demolition" e do "Jugulator" estão no set list dos shows?
Tim Owens: No momento estamos incluindo "Machine Man" e "One On One" do "Demolition", mas agora iremos adicionar outras, pois o álbum nem foi lançado. Do "Jugulator", tocamos "Blood Stained" e "Burn In Hell", mas também colocaremos mais para os próximos shows.

Depois do Brasil vocês farão uma turnê pelos EUA com o Anthrax?
K.K. Downing: Sim, estes são os planos até o momento. A turnê já está agendada e será com o Anthrax e outra banda convidada. Acredito que faremos 22 datas.
Tim Owens: Estou muito ansioso por esta turnê porque adoro o Anthrax! Fazer uma turnê pelos EUA e ainda mais com esta banda só poderá ser um grande acontecimento.

Tim, você entrou no Judas Priest há cinco anos e gravou dois álbuns de estúdio e um ao vivo. Como você analisa este período com a banda?
Tim Owens: Tem sido um grande período não só para mim, mas também para a banda todo. Os fãs me receberam bem e isto foi um grande incentivo para os outros integrantes. Não há nada que possa ser drasticamente melhorado, tudo está bem e acredito que caminhará da mesma forma a partir deste novo trabalho. Não há nada de negativo!

Então você conseguiu a lealdade dos velhos fãs?
Tim Owens: Acho que sim, eles me aceitaram bem e a melhor coisa de tudo isso é que eu mesmo era e sempre serei um grande fã do Judas Priest. Sabendo disso, os fãs se sentem mais confortáveis a meu respeito, pois sabem que procuro transmitir a mesma energia quando canto os velhos clássicos. Por isso, minha aceitação maior ainda é quando fazemos shows, pois a análise é simples e direta.

E quanto ao filme "Rock Star", que dizem ser baseado na vida de Tim ‘Ripper’ Owens?
K.K. Downing: Não sei realmente o que estão fazendo e acredito que o filme deverá falar por si, porque originalmente eles nos disseram que o conceito seria baseado na história de ‘Ripper’. Mas, depois que falamos com os produtores eles negaram que retrataria a vida dele. Não sabemos direito o que está acontecendo.

Falando sobre isso, como foi para você, Tim, que é um grande fã do Judas Priest, ter podido gravar um álbum cantando os maiores clássicos da banda, que você costumava tirar desde os tempos em que tinha a banda cover British Steel?
Tim Owens: Venho cantando estas músicas quase em minha vida inteira, desde a adolescência, seja gritando-as em casa ou nos ensaios e shows da banda de covers. A coisa legal de ter gravado estes clássicos é que minha voz se adapta bem a eles, se tornou uma coisa mais que natural. Adoro cantar estas músicas, especialmente agora em que sei dosar perfeitamente onde posso colocar minha própria personalidade. Poderia ficar cantando clássicos do Judas Priest a noite inteira!

Então, o álbum ao vivo "Live Meltdown’98" foi a melhor maneira de mostrar isto que você falou?
Tim Owens: Devemos analisar esta questão separadamente, não me colocar acima da banda. Queríamos apenas lançar um álbum ao vivo e gostaria de deixar bem claro aos fãs que estou cantando muito melhor agora do que na época em que este álbum ao vivo foi gravado. Aprendi muito com este CD e que tiver a oportunidade de assistir nosso show poderá comprovar o que estou dizendo.

Por que vocês tocaram no álbum "Live Meltdown’98" a música "Diamonds And Rust" de forma diferente da recriada pelo Priest?
K.K. Downing: É uma versão acústica que fizemos a partir da nossa versão dada à composição original e quando formos ao Brasil tocaremos para vocês. Ela tem uma grande atmosfera quando tocada nos shows, porque o público pode cantar mais e há uma interação muito grande. Também gosto de ouvir a voz dos nossos fãs!
Tim Owens: Foi apenas uma outra visão para esta música e ainda assim está bem diferente da versão original de Joan Baez. Queríamos fazer algo diferente e num ensaio decidimos fazer esta versão mais acústica.

Dois grandes clássicos do Priest são na verdade covers, "Diamonds And Rust" é de Joan Baez e "The Green Manalishi" do Fleetwood Mac. Quando ouvimos as versões originais destas músicas é impossível imaginar a razão pela qual vocês as escolheram. Como surgiu a idéia de ‘metalizar’ estas músicas?
K.K. Downing: Bem, acredito que naquela época a indústria fonográfica pressionava as bandas de Heavy Metal para fazer algo mais comercial e conosco não foi diferente. A gravadora insistia que gravássemos algum cover e até nos sugeriam algumas músicas para que nós déssemos outra roupagem. Sempre respondíamos a eles que poderíamos transformar o que eles quisessem em Heavy Metal e foi isto que aconteceu nestas músicas que você citou. Tenho que concordar com eles, porque se tornaram músicas que os fãs sempre nos pedem nos shows.

Falando sobre os primórdios, o nome da banda foi mesmo sugerido pelo jovem inglês Bruno Stappenhill? Você sabe se existe alguma conexão com o título da música de Bob Dylan, "The Ballad of Frankie Lee and Judas Priest", do álbum "John Wesley Harding", de 1967?
K.K. Downing: Isto pode mesmo ter acontecido. Bruno era um baixista amigo de Alan Atkins e talvez ele tenha tirado esta idéia da música que você citou, porque aquele era um álbum bastante popular na época que foi lançado.

K.K., no início de sua carreira você tocava com o baixista Ian Hill e o baterista John Ellis. Você teve a oportunidade de entrar no Judas Priest a partir de um convite feito pelo vocalista Alan Atkins?
K.K. Downing: Na verdade eu já tinha feito uma audição para entrar no Judas Priest, mas não consegui a vaga porque mesmo eu estando otimista na época, não pegava em minha guitarra fazia um mês. Mas, seis meses depois disto, eu estava ensaiando com John Ellis e Ian Hill e Alan Atkins foi nos ver. Depois, ele nos perguntou se poderia entrar em nossa banda para completar o line-up. Fomos a um bar próximo ao local do ensaio, tomamos umas cervejas e celebramos a formação da banda. Naquela ocasião também estávamos decidindo sobre qual seria o nome da banda e eu fiz questão de nomeá-la Judas Priest.

Por que o Judas Priest enfrentou problemas com a imprensa britânica após o lançamento do álbum "Screaming For Vengeance"?
K.K. Downing: A imprensa britânica é atípica. Nós achamos que imprensa especializada do Rock e do Metal deveria ser mais genuína, realista e menos fantasiosa. A imprensa britânica está sempre à procura de novas coisas, tendências momentâneas, estilos e gravadoras novas. Mas, mesmo assim, conseguimos manter um bom relacionamento ao longo dos anos.

Quando a banda gravou o álbum "Turbo", o objetivo principal era mesmo atingir o mercado americano?
K.K. Downing: Não, porque naquela época já éramos muito bem aceitos no mercado americano. No "Screaming For Vengeance" e "Defenders Of The Faith" já fazíamos grandes shows em estádios e arenas. Antes de lançar o Turbo nós compusemos uma grande quantidade de músicas e aquela época, no meio dos anos 80, nos pareceu ser o momento ideal de lançar as músicas provavelmente mais comercias que tínhamos em mãos.

Você e Glenn Tipton formam uma das melhores duplas de guitarristas do Heavy Metal. Vocês sempre compõem juntos as músicas ou mesmo as bases e solos de guitarra?
K.K. Downing: Na maior parte das vezes sim. Quando estamos iniciando o processo de composição, sempre separamos a idéia ou a criação individual de cada um. Depois, quando nos juntamos, ficamos experimentando até obter o melhor resultado. Nossas criações são muito pensadas, repensadas e aliada a isso existe um pouco de sorte e talento embutidos. 

No álbum "Jugulator" senti que você e Glenn não criaram solos melódicos e emocionais. Isto foi intencional, já que a sonoridade do álbum é mais pesada, suja e agressiva?
K.K. Downing: Acredito que esta tenha sido mesmo a nossa intenção. Como você disse, não existem partes muito melódicas e emocionais neste álbum e desta maneira não teria sentido colocar solos assim.

O solo inesquecível de Glenn Tipton é o da música "Beyond The Realms Of Death" mas você. K.K., tem um em particular que considera o melhor e mais memorável que criou?
K.K. Downing: Não realmente, pois acredito que os solos fazem parte do trabalho a algumas pessoas gostam muito de analisá-los à parte das músicas e por isso se tornam inesquecíveis. Mas, tenho alguns que posso citar, como em "Sinner" ou "Victim Of Changes". Por outro lado, nossos melhores momentos são os feitos em dupla, como em "Exciter" e "Rock Hard Ride Free".

Muito obrigado, esperamos encontrá-los no Brasil.
K.K. Downing: Obrigado e certamente vamos nos encontrar, estou louco para tocar novamente no Brasil, temos muitos fãs ai e sei que eles irão nos receber muito bem!
Tim Owens: Lógico, vamos nos encontrar, mas não se esqueça de guardar uma cópia da revista para mim, hein! Vejo vocês em breve. Obrigado.

Entrevista publicada na edição #32 da revista ROADIE CREW (agosto de 2001)

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