quarta-feira, 20 de outubro de 2010
MTV, eu vi
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
'Brasil Heavy Metal': lançamento mundial do clipe da música tema do filme
sábado, 7 de agosto de 2010
Bathory: a magia permanece

A ligação com o Bathory era grande desde o primeiro contato que tive com a banda, no lançamento do EP autointitulado de 1984. Lembro perfeitamente quando Serginho – hoje advogado de renome nacional – e Duda, amigos do time de futebol de praia do Guarujá, compraram “o disco do bode” importado e me enviaram pelo correio a gravação em fita cassete por fonopostal (!). É, quem reclama hoje que o “link está fora do ar” não faz ideia do que fazíamos para ouvir algo novo.
Também me recordo de ver o Paulinho “Pedrinho”, que fazia parte do time de basquetebol do clube Paineiras do Morumby na categoria do Conrado Tabuso, um dos editores do fanzine DeathCore, usando quase que diariamente a camiseta da “banda do bode”, com a capa do EP estampada. Nós até brincávamos que não íamos comprar a camiseta porque senão estaríamos “vestidos de Paulinho”.
Após os treinos e jogos do Paineiras – ou “Parna”, como chamávamos –, naquela fila para pegar o lanche, invariavelmente vinha o papo de quem era melhor – Bathory, Venom, Celtic Frost ou Hellhammer? Nunca quis entrar tão a fundo nessas discussões. Afinal, curtia da mesma forma todas estas bandas, mas sempre falava as mesmas coisas: “Ah, a música ‘Necromansy’ é a melhor do Bathory!” ou “O Venom que começou com isso tudo! Duvido que o Quorthon não tenha se inspirado na ‘In League with Satan’ para fazer a ‘In Conspiracy with Satan’”… Bem, eu falava tudo isso, mas bem lá no fundo eu já sabia que a minha preferida dentre estas era Celtic Frost mesmo. Era, ainda é e acredito que sempre será.
O já falecido músico sueco Thomas "Quorthon" Forsberg (17 de fevereiro de 1966 — 7 de junho de 2004) inspirou-se em Erzsebet Báthory para o nome de sua banda. Nascida em 1560, filha de pais de famílias aristocráticas da Hungria, Elizabeth cresceu numa época em que as forças turcas conquistaram a maior parte do território húngaro, sendo campo de batalhas entre Turquia e Áustria.
Como conviveu com todo o tipo de atrocidades quando criança, Elizabeth desenvolveu um alto grau de sadismo. Mais tarde, se tornou uma das mais belas aristocratas e quem a via jamais poderia imaginar que, por trás daquela atraente mulher, havia um mórbido prazer em ver o sofrimento alheio. A Condessa ganhou a fama de ser "vampira" por morder e dilacerar a carne de suas criadas.
Casada com o Conde Ferenc Nadasdy, Elizabeth teve três filhas, Anna, Ursula e Katherina, e um filho, Paul. Após a morte de seu marido em 1604, mudou-se para Viena e daí para frente seus atos tornaram-se mais pavorosos e depravados. As investigações sobre os assassinatos cometidos pela Condessa começaram em 1610, ano em que foi presa e julgada.
Em janeiro do ano seguinte foram apresentadas como provas algumas anotações escritas por Elizabeth, contando com aproximadamente 650 nomes de vítimas mortas pela acusada. Seus cúmplices foram condenados à morte e a Condessa à prisão perpétua. Elizabeth foi presa num aposento em seu próprio castelo, sem qualquer contato com o mundo externo. Vivendo fechada num quarto, sem portas e janelas, apenas com uma pequena abertura para passagem de ar e comida, faleceu a 21 de agosto de 1614.
Não sou cinéfilo e não consigo guardar nomes de filmes e de atores que vi na semana passada, mas uma boa dica para se ter uma ideia de como foi a vida de Elizabeth é o filme “Bathory” (“Condessa de Sangue”, no Brasil), lançado este ano. Mesclando ficção e realidade, o filme dirigido por Juraj Jakubisco mostra como Elizabeth Bathory se tornou uma lenda. No elenco, Karel Roden, Vincent Regan, Haws Matheson, Deana Horváthová e Franco Nero. Coloquei por colocar, já que não faço a menor ideia de quem sejam estes atores, OK?
Os anos passaram, os nossos gostos musicais foram se ampliando, mas aquela magia em relação ao Bathory permaneceu – pelo menos pra mim. Quando montei a banda Midnight com o vocalista Roger Lombardi, sabia da admiração dele em relação a estes mesmos grupos. Chegamos a gravar um CD com o Sunseth Midnight e quando ele saiu para montar o seu próprio projeto, veio com o nome Goatlove – goat que, na tradução literal, significa bode (ou cabra). O som da banda não tem nenhuma ligação com o Bathory, mas com o The Cult, que também tem seu disco “da capa do bode” e outro intitulado “Love”. Entretanto, bastam cinco minutos de papo com ele para perceber que o Bathory é uma referência, mesmo que implícita, assim como o Celtic Frost, Hellhammer, Venom e tantos outros. É, parece que a magia em relação ao quarteto “Bathory-Venom-Celtic Frost-Hellhammer” perdurará.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Obrigado, Ratt!

Já comentei este assunto na "Coluna do Batalha" mas, como "Batalha Slayer", cheguei ao cúmulo de chamar várias bandas que hoje curto demais de "Falso Metal", algo que meu irmão, Frederico, certamente irá me zoar até meus últimos dias de vida. Discos com teclado, saxofone, metais e bateria eletrônica, eu descartava sem sequer ouvir – lia as informações da contracapa ou do encarte e não comprava. Eu sei, você também já ouviu a "máxima" mais imbecil do mundo: "Não ouvi e não gostei".

Então, certa vez, fui à casa de um outro amigo que ouvia Slayer como eu, o Marco Antonio, para gravar alguns vídeos de shows e videoclipes, outra prática bastante comum nos anos 80. Juntar dois vídeos para gravar era uma coisa que aproximava os fãs e, invariavelmente, criava amizades. Pois bem, estava lá gravando vídeos piratas ao vivo – um deles era

Quando já estava ficando de saco cheio, falei para ele: "Tudo bem, meu. Coloca essa sua fita, vai." E então ouvimos os riffs iniciais da "You're In Love", faixa de abertura do álbum "Invasion Of Your Privacy". Mais uma vez eu pensei comigo: "Legal!" Também pudera, a trinca de abertura desse disco é fenomenal, seguindo com "Never Use Love" e "Lay It Down".
Só sei que de "legal" em "legal", acabei gravando aquela fita dias depois. Na semana seguinte, comprei o disco "Invasion Of Your Privacy" e nas seguintes os outros que tinham saído no mercado nacional. Quando me perguntavam se eu estava "curtindo poser", respondia: "Sim, mas só o Ratt." Até meu amigo Claudio Fortuna, que ouvia as mesmas bandas mais extremas, mas tinha uma cabeça mais aberta, se rendeu: "O que me irrita é que eles ficam com 'love' pra cá, 'love' pra lá, mas também gostei. É legal esse disco, pode gravar pra mim."
Como sempre uma coisa leva à outra, fui percebendo que estava achando legal demais e então comecei a recuperar o tempo perdido. Como também fora apresentado ao Dokken, a resposta àquela pergunta ia tendo bandas adicionadas a cada semana: "Sim, estou ouvindo Hard, mas só o Ratt e o Dokken." Pensa só na cara irônica do meu irmão, Frederico, tirando sarro diariamente, entrando no meu quarto e falando: "Hummm, curtindo rockinho falso Metal, é?"...
O Ratt não só abriu minha mente ao Hard Rock – o poser, o farofa, o hair metal – e às hoje chamadas 'hair bands', mas indiretamente me levou à redescoberta das bandas que eu havia "abandonado", como o Triumph (um crime!), por exemplo. E mais, me ajudou a aceitar o que antes era quase "proibido". Foi como sair da prisão.

Infelizmente, nunca cheguei a ter uma banda de Hard Rock, nem de Thrash Metal, mas embora o Cizania - então formado por Adalton Ribeiro (guitarra), Marcelo Fanin (baixo) e Eric Yañez (vocal) - tocasse composições próprias fincadas no Heavy Metal Tradicional, certa vez nos apresentamos no encerramento do festival de música da escola estadual Professor Alberto Levy, localizado na av. Indianópolis, local onde vota o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O festival era um outro grande ponto de encontro de amigos da região e onde se juntavam as turmas que andavam com as bandas Centúrias, Vírus e Cérbero. Pois bem, aquela foi a única vez que toquei Ratt na vida, pois nosso set list contava com a música "What You Give Is What You Get", faixa do álbum "Invasion Of Your Privacy". Sei que meus amigos Macarrão e Leão, e todo pessoal que andava com eles, vibraram durante a execução. Para todos foi uma grande surpresa, porque até hoje não é muito comum uma banda tocar cover do Ratt.
Você sabe (ou vai saber um dia), cada um tem o seu "Ratt" na trajetória musical, mas confesso que se não fosse por esta banda talvez eu não teria condições de trabalhar escrevendo sobre música. Por tudo isso, só posso dizer: OBRIGADO, RATT!
OK, agora só falta vir tocar no Brasil.
Post relacionado:
http://colunasleeversbatalha.blogspot.com/2008/12/basquetebol-e-metal-deathcore-zine.html
Fotos:
Discos: Reprodução
Banda: juancroucier.com
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Paulão Thomaz: 50 anos de Rock
"Tenho muito orgulho de ter ajudado a começar tudo isso. Naquela época (anos 80) era tudo mais inocente e amador. Hoje em dia, as bandas não se interessam em ajudar as outras, é cada um por si" - Paulão Thomaz
"Oi, você pode chamar o baterista do Centúrias, o Paulão, que vai tocar aí hoje?", perguntei à recepcionista do Teatro Mambembe. "Quem quer falar?", seguiu a atendente. "Aqui é o Ricardo Batalha, que vai fazer a filmagem do show". Quando falei para ela esta última frase eu não tinha a menor ideia se iria ou não filmar aquele show. Já havia filmado um da banda A Chave do Sol no Teatro TBC no final de 1986 e, apesar de ter visto várias apresentações do Centúrias, não era amigo pessoal de nenhum integrante da banda. "Oi, quem fala?", indagou Paulão. "Que filmagem é essa?", prosseguiu. Expliquei a situação e ele respondeu com grande entusiasmo: "Claro que pode vir aqui filmar nosso show! Vou colocar seu nome na porta, mas chegue um pouco mais cedo, senão já viu... Até mais." É, Paulão já sabia que a entrada no Teatro Mambembe não era fácil, coisa que só fiquei sabendo depois desta estreia.
Ao me ver pronto para sair com o visual headbanger anos 80 em plena segunda-feira, minha mãe logo falou com aquela cara de espanto: "Mas hoje é segunda-feira, o que você vai fazer com esta câmera?!" Respondi que ia filmar um show importante, pedi o carro emprestado e esperei. "Tudo bem. Pode ir, mas cuidado", disse minha mãe. Comi alguma coisa, peguei o carro e rumei à rua do Paraíso, onde ficava o Teatro Mambembe. Confesso que aquela ladeira não era das mais fáceis para um "carta nova" de 18 anos de idade fazer uma "baliza galã" usando o freio de mão direitinho. Bem, aquilo era o de menos. Afinal, eu ia registrar um show do Centúrias em vídeo!
Ao chegar na porta do Mambembe, aquele meu "velho amigo" metido (já citado algumas vezes aqui neste Blog) mostrou o poder de sua empáfia pela primeira vez. "Cara, seu nome não está na lista. Não sei de filmagem nenhuma. Espera aí do lado". Algum tempo depois, ele veio e falou: "Ninguém está sabendo disso, meu. Com quem você falou?". Respondi que tinha combinado tudo com o Paulão. De repente, o cara mudou. "Ah, com o Paulão?! Espera aí então que eu vou ver com ele." Bastaram poucos minutos para ter minha entrada autorizada.
Fui então ao encontro do Paulão, que me recebeu bem e me apresentou a todos os músicos, roadies e técnicos de som e luz que estavam lá. Contei para eles que tinha visto alguns shows da banda com a formação anterior, da fase "Última Noite". Aí, Paulão perguntou: "Mas por que você escolheu filmar o Centúrias?". Ele ouviu a resposta mais óbvia de todas: "Porque eu gosto!" Todos riram.
Fiz a filmagem do show, peguei o contato do Paulão e disse que entraria em contato para dar a cópia da fita (VHS). Saí do Mambembe e tive uma surpresa nada agradável, pois haviam quebrado o vidro e levado o toca-fitas do carro. E aí, como explicar para seus pais que ir a um evento de Heavy Metal numa segunda-feira em São Paulo era tranquilo. Será que tudo aquilo que eu apregoava em casa seria entendido depois disso? Por sorte, meus pais entenderam.
Dias depois, Paulão chegou em casa de bicicleta. Meu irmão Frederico, incrédulo, falou: "É o Paulo Thomaz do Centúrias que tocou a campainha?" Respondi que sim e fui lá falar com ele. Entreguei-lhe a fita e desde então Paulão se tornou um amigo.
Aí, fui convidado para sua festa de 30 anos, realizada no Black Jack Bar. Lembro-me como se fosse hoje de todos detonando o bolo de chocolate e de ter comentado com vários amigos que, assim como eu, tinham 21 anos de idade em média: "O Paulão está fazendo 30 anos! Ele é muito mais velho, mas nem parece". Todos concordaram e seguiram mandando ver na cerveja, na caipirinha e no alexander, no caso do Fanin. Tudo bem, o Fanin vai dizer que não lembra, mas ele tomava isso.
Os anos passaram e Paulão se tornou um irmão mais velho. Quem sabe o real significado de "brother of Metal", entende. Cheguei a ir em várias festas e encontros "etílicos-metallicus" que ele organizava em sua casa/estúdio, além de fazer várias matérias sobre suas bandas para a revista. Numa destas, ele chegou a comentar e rir: "Pô, Batalha, você vai tão a fundo que colocou até a data do meu nascimento. Agora ferrou, todo mundo vai saber quantos anos eu tenho de verdade", divertiu-se.
Já que todo mundo sabe, no último dia 22 de julho, Paulão Thomaz completou 50 anos de idade e comemorou a data com festa no Blackmore Rock Bar, em São Paulo. O bolo, mais uma vez, estava fenomenal. E olha que quem me conhece sabe que raramente eu como doces, mas bolo da festa do Paulão é tradição. Bolo sim, mas caipirinha de balde nunca mais!
Reencontrar velhos amigos e relembrar histórias de tempos que não voltam mais é uma das minhas coisas preferidas. Porém, naquela ocasião, eu, o Fanin, os outros amigos fãs de Metal e músicos que tocaram ou tocam com Paulão, estavam lá para se divertir e, principalmente, reverenciar uma figura ímpar do Rock brasileiro. A legião de amigos e fãs que foram prestigiar o evento viram shows do Lynyrd Skynyrd Tribute, Grand Funk Railroad Cover (Banda Máquina 70) e George Thorogood Tribute (Banda Garbage Truck). Paulão, obviamente, tocou. Desta vez, foram os grandes clássicos do Lynyrd Skynyrd, executados com a mesma pegada e garra que demonstra desde o começo de sua carreira com o Centúrias. Por sinal, o vocalista Cachorrão me mostrou em primeira mão nesse dia a música inédita que gravaram para o documentário "Brasil Heavy Metal". Quem curte o disco "Ninja", pode ter certeza que também vai adorar.
Imagine quantas mudanças e novas tendências Paulão Thomaz vivenciou desde quando começou a curtir Heavy Metal ouvindo os primeiros discos do Black Sabbath. Ele até tem seus momentos 'deprê', em que acha que tudo está errado, mas sua disposição é maior que a de um novato. Passam-se os anos mas suas atitudes, o ânimo e a garra em tocar Rock permanecem intactos. Aquele garoto que, em 1975, ficou deslumbrado ao ver um show da Patrulha do Espaço demonstra a mesma alegria e até mesmo uma ponta de ingenuidade que todos nós perdemos com o passar dos anos.
O jeito vibrante de Paulão é notado tanto quando ele fala do primeiro disco que comprou na vida – uma coletânea do Slade chamada Sladest –, como quando conta sobre as gravações recém finalizadas para o quarto álbum do Baranga, grupo que ajudou a criar em fevereiro de 2000. Além disso, sente o mesmo orgulho em usar camisetas com estampas de bandas que curte, colete de couro, jaqueta com patches e pins, como quando comprou a sua primeira camiseta – "uma do Jimmy Page – na Stoned Shirts, famosa loja de camisetas da rua Augusta nos anos 70. Assim é o senhor Paulo Thomaz Soeiro Rodrigues Alves. Portanto, se você encontrá-lo agitando na frente do palco em um show cover do AC/DC ou do Carro Bomba, saiba que é um entusiasmo real. E ele vai lhe falar, com uma garrafa de cerveja na mão: "Isso sim é Rock'n'Roll!"
domingo, 25 de julho de 2010
"Esses Voivod"
O funcionário do escritório de advocacia de meu falecido pai não conseguiu achar Dalam Junior, mas seguiu com seu inconformismo. "A Woodstock já está começando a divulgar demais essas bandas aí. Rica, desse jeito a moçada vai esquecer de quem surgiu antes. Eu não te mostrei Voivod, mas UFO, Aerosmith, Kiss, Judas Priest, Scorpions, Iron Maiden, né?", perguntava Joãozinho, um grande incentivador para me colocar nesse mundo da música pesada e que também era chamado por outros de Sujeirinha ou Johnny Dillinger.
Ao lado de Celso Barbieri, que apresentava os eventos, Dalam Junior (baixista do Mercúrio) foi idealizador e um dos responsáveis pela realização dos eventos na concha acústica do Parque da Aclimação, que tinha apoio do Jornal do Cambuci. Tenho grande respeito e admiração por eles pela perseverança em transformar aquele espaço em um grande ponto de encontro de rockeiros. Basta você imaginar que, no último domingo de cada mês, bastava ir ao Parque da Aclimação para estar rodeado de grandes árvores e todo o verde do local, tendo atrás um belo lago e à sua frente um palco com sistema de som potente, com as melhores bandas de Rock/Metal da época tocando. Ah, sim, sem pagar um centavo.
João Carlos "Sujeirinha" não se conformava, mas eu tentava argumentar: "João, eu gosto dessas bandas novas. Não sei explicar direito, mas elas são bem mais agressivas e eu acho isso legal!". Ele ficava cada vez mais impaciente: "Vou falar com o Orlando para ver se ele muda esse cara do som! Ou mudam ou nunca mais vou chegar cedo aqui!", falava o sempre calmo e bem humorado João Carlos no alto de seu momento de irritabilidade.
Joãozinho saiu do local onde estávamos e demorou para voltar, já que estava procurando Orlando Lui Jr., o já falecido baixista que passou pelas bandas Gozo Metal e Rock da Mortalha e que tinha grande influência entre os organizadores da Praça do Rock. "O Abutre bem que podia começar o show logo para a moçada ouvir som legal e parar com esses 'Voivod'!", seguia o excepcionalmente irritado Joãozinho.
Os shows do Abutre e Centúrias foram excelentes, mas aquele não era mesmo o dia de Joãozinho, pois bastou o Abutre entrar no palco para ele disparar: "Tá vendo? São os 'Voivod' no som e agora os Abutre me aparecem com lencinhos no braço?! Mas o que está acontecendo?!", indignava-se. Como não sentia absolutamente nada em relação àquilo, curti cada momento daquela bela tarde de domingo. Joãozinho, por sua vez, saiu antes do final dos shows.
Na semana seguinte, após passar pela Woodstock Discos, resolvi ir à Galeria do Rock. Joãozinho falou tanto, mas tanto, que resolvi comprar uma fita cassete com a gravação do disco "War And Pain" (1984) do Voivod – algo muito comum naquela época em que os discos importados eram caríssimos e difíceis de se encontrar por aqui. Comprei, gostei e me tornei fã. Porém, mal sabia eu que, muitos anos depois, viveria o papel de João Carlos. Eu sei bem o que ele sentiu e passou naquele domingo. Depois eu conto...
Fotos: Reprodução / Foto Dalam Jr.: Arquivo Brasil Heavy Metal
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Lá se vai mais um batalhador

Fundador e editor do Metal Gods, o incansável Jaji foi um ativista em prol do Heavy Metal, tendo organizado festas e abaixo-assinados para que bandas estrangeiras viessem ao Brasi, como o Manowar. Suas fotos apareceram em publicações de renome, como a extinta Metal.
Lembro-me como se fosse hoje quando eu e meus companheiros do fanzine DeathCore estávamos em busca de fotos de bandas brasileiras para incluir em uma edição. Fomos até a Woodstock Discos e o dono da loja, Walcir Chalas, disse: "Se vocês querem fotos, só vão conseguir com o Jaji". E lá fomos nós para o bairro da Liberdade para encontrá-lo. Com toda a humildade, Jaji se mostrou animado por estarmos editando um fanzine e nos ofereceu o material que tinha disponível, somente pedindo que colocássemos seu crédito.
Quase na mesma época, Celso Barbieri organizava eventos no Espaço Mambembe, no bairro do Paraíso, em São Paulo, e como eu fazia filmagens dos shows sempre cruzava com Jaji antes dos eventos. Ele com sua velha Nikkon e eu com minha então novíssima câmera de VHS Panasonic. Costumávamos falar sobre a força e a garra das bandas brasileiras e certamente seus ideiais eram os mesmos. Seguimos caminhos diferentes mas, anos depois, no início da revista Roadie Crew o "acelerado" Jaji se mostrou solícito e chegou a nos ajudar com suas fotos.
Felizmente, o guitarrista do Santuário e Extravaganza Ricardo "Micka" Michaelis - diretor do documentário "Brasil Heavy Metal" - não esqueceu da luta de Jaji pelo cenário do Metal brasileiro e gravou uma entrevista com o fotógrafo, que agora terá um caráter ainda mais especial em sua memória.
Crédito/Foto: Brasil Heavy Metal
domingo, 16 de maio de 2010
Conexão com "Deus": Ronnie James Dio

A morte de Dio, que ficou mundialmente famoso por cantar em bandas como ELF, Rainbow, Black Sabbath e Heaven & Hell, foi confirmada por sua esposa e empresária, Wendy Dio. "Hoje meu coração está partido, Ronnie morreu às 7h45. Muitos amigos e familiares puderam dizer adeus antes dele morrer pacificamente", postou Wendy no site oficial de Dio (ronniejamesdio.com).
No mesmo comunicado, a esposa de Dio diz que ele sabia o tanto que todos o amavam e agradece o apoio desde que o vocalista soube da doença, em novembro de 2009. "Por favor nos deem alguns dias de privacidade para lidarmos com essa terrível perda. Por favor saibam que ele os amava e sua música vai viver para sempre", finalizou Wendy Dio.

Quase na mesma época, a extinta revista SOMTRÊS veio com uma promoção, sorteando cópias do álbum de estreia do Dio, "Holy Diver". Mais uma vez, fui em frente. Recortei o selinho no canto do anúncio da promoção e mandei a carta. A esperança era a mesma de receber a resposta do Dio. Havia, mas era pequena...
O tempo passou e quando quase nem lembrava que havia enviado tal carta, minha mãe deu um grito: "Ricardo, o carteiro deixou um eve

Passado algum tempo, mais uma vez ouvi o berro: "Ricardoooooo!". Bem, se houvesse uma competição de quem grita meu nome mais alto, minha mãe certamente ganharia até do Dio, Rob Halford, Bruce Dickinson, Geoff Tate, Glenn Hughes, Ian Gillan...
Era do correio. Carta do exterior. Não lembrava mais da carta ao Dio, mas quando vi o remetente Niji Productions Inc., aquele rosto carrancudo deu lugar a um enorme sorriso, com a boca ficando maior que a do Coringa, do Batman... Abri-a em menos de 5 segundos e lá estava a foto autografada com os dizeres: "Magic, from Ronnie James Dio". Só pensei comigo: "Consegui!".

E qual não foi a minha surpresa quando o programa "Fantástico" (TV Globo) exibiu com exclusividade o clipe da faixa título, "The Last in Line". O marketing para o primeiro "Rock In Rio" estava forte em relação ao Heavy Metal. Lembro que estávamos na casa de meus avós paternos, o Professor Sóter e a Dona Carmen, como costumávamos fazer aos domingos. Saíamos de lá quase sempre um pouco depois dos "Gols do Fantástico", que eu, meu irmão, o "Seu" Batalha, meu Tio Bosco e o Professor Sóter, não perdíamos. Imagine o espanto quando o apresentador Cid Moreira, com seu conhecido vozeirão, anunciou: "Agora, o musical do ex-cantor do grupo inglês Black Sabbath: Dio". Meu irmão Frederico e eu ficamos paralisados, hipnotizados, enquanto o Professor Sóter, quase "pescando" em sua grande poltrona reclinável favorita, não entendeu nada.
Anos depois, já trabalhando pela revista Roadie Crew, tive o privilégio de entrevistar Ronnie James Dio em algumas ocasiões, além de Tony Iommi, Ozzy e Vinny Appice. Consegui, inclusive, não perder totalmente o lado romântico de fã e com ele fiz questão de pedir mais autógrafos e fotos, como a mais recente, na nova passagem do Black Sabbath pelo Brasil. Tudo bem, do Heaven & Hell...

ARQUIVO: ENTREVISTA
Se alguém disser que admira o vocalista Ronald James Padavona, talvez você não se dê conta de que a pessoa estará se referindo a um dos maiores astros do Rock e do Heavy Metal de todos os tempos: Ronnie James Dio. O norte-americano, que passou pelas bandas The Vegas Kings, Ronnie and the Rumblers, Ronnie and the Redcaps, Ronnie & The Prophets, The Electric Elves, The Elves, ELF, Rainbow, Black Sabbath, Dio e Heaven & Hell, fala nesta coletânea de entrevistas que fiz para a revista Roadie Crew sobre alguns pontos de sua carreira e algumas curiosidades.
Quando e por que Ronald James Padavona adotou o nome artístico de Ronnie James Dio?
Dio: Quando estava no Rainbow, gravando o primeiro álbum da banda, Ritchie me perguntou se eu tinha um nome no meio, ao invés de Ronnie Dio. Disse que sim e passei a adotar Ronnie James Dio. Mas quando tinha uns dez anos de idade e já estava com uma banda, claro que não era profissional, achava que meu sobrenome era muito longo e resolvi pegar Dio, que também é uma palavra em italiano, assim como é meu sobrenome. Só que eu não fazia a menor ideia de que aquilo significava Deus em italiano, pois havia copiado de um membro da máfia, que também se chamava Ronnie Dio. Aí, tempos depois, vieram me falar que eu estava me intitulando Deus. Só que não sou e nunca serei, não tenho nada a ver com isso, é apenas o nome (risos).
Você nunca teve aulas de canto, mas mesmo assim se tornou um dos mestres com seu talento para cantar e possui uma carreira respeitável. Como é viver apenas da música?
Dio: Tenho sorte por ter conseguido viver somente da música e sempre busquei isso minha vida toda. Nunca pensei que pudesse sobreviver financeiramente vivendo da música, mas não foi o dinheiro que me levou a optar por esta carreira e sim a paixão em estar com uma banda tocando para pessoas que gostam do que você faz. Quando comecei, sabia que esta seria minha profissão, mas não fiquei sentado pensando que um dia ia fazer isto. Simplesmente comecei e fui em frente. Sou um afortunado por conseguir fazer o que mais queria na vida, pois muita gente trabalha duro a vida toda em um emprego que odeia. Fui abençoado com o talento e também por ter uma grande quantidade de fãs que querem me ver.
Quando está em turnê, você gosta e tem o costume de examinar o local e fazer o 'soundcheck antes de entrar no palco para fazer o show?
Dio: Claro. Na maioria das vezes, fazemos um detalhado soundcheck. Isto também depende da qualidade do equipamento que você tem disponível em cada casa de shows. Às vezes, não é o apropriado e por isso a equipe leva mais tempo para deixá-lo ajustado.

Dio: É muito legal e mais ainda para os meus pais. Achei extraordinário que colocaram o meu nome naquela rua na cidade que nasci e cresci. Acho até estranho ver meu nome lá, mesmo depois de tantos prêmios que recebi durante minha carreira. Cada um que ganhei tem um sabor especial, mas este da rua é ainda maior.
Um de seus trabalhos favoritos é o Heaven And Hell, do Black Sabbath, mas sempre achei que você preferisse o Rainbow musicalmente, já que sempre faz questão de tocar muitas músicas nos shows com o Dio e cita a palavra "rainbow" nas suas músicas...
Dio: Não, o Heaven And Hell ainda é o meu preferido! E por diversas razões: primeiro, musicalmente, e depois pelos problemas que o Black Sabbath tinha passado e estava precisando voltar com tudo, pois fazia três ou quatro anos que a banda não fazia sucesso. Eu me senti gratificado por poder recolocar a banda no patamar que merecia estar com o Heaven And Hell. O Rainbow é completamente diferente, pois é um tipo de música que vem da cabeça de Ritchie Blackmore. No Sabbath nós todos trabalhamos juntos e a banda tinha uma sonoridade mais simples e que até me facilitava as coisas, na realidade. Criar melodias naquele padrão mais simples era até melhor para mim como vocalista, entende? E sempre gostei de compor e criar com o Sabbath, porque é mais pesado que o Rainbow e era mesmo isso que queria fazer!

Dio: Quando a minha saída do Black Sabbath foi confirmada, e o mesmo já tinha acontecido quando deixei o Rainbow - ambos grupos que sentia que ainda poderia contribuir muito mais, só que não tive escolha e não saí por opção minha -, decidi que seria hora de fazer algo próprio. Não queria mais que outros controlassem a minha vida. Musicalmente, sabia que estava maduro o suficiente para compor boas músicas. Claro que foi importante tocar com Ritchie (Blackmore) e Tony (Iommi), mas queria poder controlar as minhas ações. Vinny e eu saímos ao mesmo tempo do Sabbath e ele concordou comigo que deveríamos criar algo novo. Eu o conhecia bem e, além do mais, havia o fato de ele ser um ótimo músico. Então nós saímos em busca de um baixista e um guitarrista. Fomos para a Inglaterra e acabamos encontrando com Jimmy Bain e foi por intermédio dele que chegamos ao Vivian Campbell. Nos reunimos em um estúdio em Londres e tudo saiu muito bem, pois nos entrosamos logo de início. Vinny curtia tocar com Jimmy e, apesar de jovem, Vivian já era um brilhante guitarrista.
Quais foram as primeiras composições criadas para o Dio?
Dio: Holy Diver e Don't Talk To Strangers. Já tinha feito estas composições e mostrei-as para Vinny, Jimmy e Vivian assim que formamos o Dio. A partir dali as coisas foram saindo da melhor forma possível. Enfim, um momento mágico.

Dio: Nós trabalhamos arduamente para lançar um bom álbum. A experiência foi bem autoral, pois fizemos tudo do jeito que queríamos e que achávamos que iria funcionar. Aprendemos bastante coisa naquela produção, inclusive com nossos erros, alguns os quais até ríamos depois. Mas os acertos foram maiores. Veja, por exemplo, o som da bateria... Nós construímos uma sala gigante e ela parece que foi gravada ao vivo! Usamos também para o The Last In Line e isso funcionou bem para o kit da bateria de Vinny Appice. As outras coisas foram aqueles negócios de banda mesmo, com todos dando o máximo nos ensaios e na criação em si. Holy Diver não foi um álbum feito em meio a festas ou eventos paralelos. Foram coisas de trabalho, com toda aquela interação momentânea e espontânea que ocorre entre músicos que estão gravando.
Existe alguma música feita nas sessões de Holy Diver que foi deixada de lado?
Dio: Sim, há uma música, mas ela sequer foi finalizada. Apenas a deixamos de lado e eu a odiava tanto que certo dia cheguei ao ponto de destruir aquela fita. Mas nós nunca fomos de gravar algo a mais, somente quando éramos obrigados, como para o Japão, que sempre pede algum bônus. As músicas que gravamos em todos os álbuns foram aquelas que trabalhamos em cima.
E como foi para você - que carregava o peso de ser um ex-Rainbow e um ex-Black Sabbath - sentir uma resposta tão positiva e rápida para músicas como Stand Up And Shout, Holy Diver, Don't Talk To Strangers e Rainbow In The Dark?
Dio: Acho que as músicas falam por si. Elas têm qualidade e o álbum todo é bom. Mas claro que fiquei surpreso com aquela receptividade instantânea dos fãs. Eu realmente não esperava por uma resposta tão rápida e forte. Fiquei muito contente e confiante.
Como surgiu a ideia de tocar o álbum Holy Diver na íntegra e lançá-lo em CD e DVD (Holy Diver Live)?
Dio: A sugestão partiu de nosso agente na Inglaterra, que tinha pensado que poderia ser uma coisa bem interessante tocar o álbum inteiro ao vivo. O Deep Purple tinha feito isto com o Machine Head, o Queensrÿche com o Operation: Mindcrime e outras bandas também realizaram shows destacando um disco inteiro. Desta forma, senti que o projeto deveria ser levado adiante, ainda mais porque o Holy Diver é muito popular e por isso que, ao invés de tocá-lo somente na Inglaterra, acabamos por fazer uma turnê inteira com este apelo em cima do Holy Diver. A ideia sempre me pareceu legal e acredito que os fãs também aprovaram, especialmente porque muitas daquelas músicas não eram tocadas havia bastante tempo.

Dio: Sim! Tudo foi especial, ainda mais porque o Holy Diver foi o primeiro álbum e o que obteve grande reconhecimento para a banda Dio. E não são apenas algumas poucas músicas boas, o disco inteiro é falado e por isso a receptividade dos fãs nos shows foi altamente empolgante para todos. Muitas pessoas nunca tinham nos visto tocando algumas daquelas composições, enquanto outros não as viam ao vivo fazia muito tempo, há mais de vinte anos... A reação foi muito boa, acredito que não somente pelo Holy Diver, mas também porque o set tinha duração de cerca de duas horas e meia, com outras coisas do Dio, do Rainbow e do Black Sabbath.
A arte da capa de Holy Diver apresenta um personagem que acabou virando mascote para o Dio. A ideia inicial era mesmo esta?
Dio: No começo seria apenas mais uma figura que faria parte de um todo na arte da capa. Queríamos mesmo ter uma pessoa e um outro personagem, além de um logotipo bem chamativo e que pudesse cativar de alguma forma os fãs de Metal. Com o tempo as pessoas passaram a se interessar mais e aquele personagem acabou se tornando a mascote, com "vida própria", um nome e sendo parte do Dio.

Dio: 'Murray, the monster'... Achei que soaria mais monstruoso e, além disso, seria engraçado chamar de Murray aquela figura malvada...
Ainda sobre isto, o dragão que fazia parte do cenário na turnê do álbum Sacred Heart e era um dos pontos altos do show foi chamado de Denzil...
Dio: Na verdade, todo mundo o chama assim, mas seu nome é 'Dean, the dragon'. Por alguma razão, outra pessoa começou a falar que ele era o Denzil e aí pegou, mas o correto é Dean.
Já que estamos falando sobre curiosidades, muitos também dizem que o logotipo do Dio quer dizer Devil. Qual a sua opinião a respeito disso?
Dio: Não tem nada a ver e não foi intencional. Se você olhar de cabeça para baixo até pode parecer que é, mas não estudamos uma fórmula para que nosso logo fosse visto assim, com duplo sentido. Alguém, um dia, resolveu virar de ponta cabeça, ficou analisando e achou que Dio poderia querer dizer “Devil”, mas não tivemos nenhuma intenção de fazer isto.
E sobre o 'maloik', aquele sinal com os dedos - fechando a mão parcialmente e mostrando o dedo indicador e o mindinho - que tanto caracteriza o Heavy Metal. Você se lembra quando começou a fazê-lo?
Dio: É sempre bom ter alguma coisa que você pode repetir várias vezes e as pessoas aceitam. No meu caso, foi porque a minha avó era italiana e usava o 'Maloik', que a protegia contra o olho do mal ('evil eye'). Quando eu era criança, a via usá-lo com freqüência e, assim, desde a fase do Rainbow, comecei a fazer o sinal. Não foram tantas vezes, mas usei-o. Só que no Sabbath, quando eu queria fazer uma figuração de algo mais malvado, fazia o símbolo do 'evil eye' com as mãos. As coisas foram indo e em certo ponto as pessoas já até esperavam que eu fizesse aquele sinal para que eles repetissem e isso acabou se tornando algo mundial.

Dio: Entendo sua explanação, mas, com relação àquela música, apenas achei que o título Evil Eye seria interessante. Não fui tão a fundo e ela não tem esta ligação. Não foi nada além de um bom nome. Ela foi escrita a partir de algum filme, não me lembro direito. E a compus até certo ponto bem rápido, já que precisávamos apresentar uma nova música que tivesse certa conexão entre o Holy Diver e o The Last In Line e esta ficou perfeita.
A banda Dio iniciou a "Dream Evil World Tour” tocando em Irvine/CA (EUA), em um evento chamado "Children Of The Night", mas o que pode falar a respeito do projeto de mesmo nome, também chamado de "Hear’n’Aid 2"?
Dio: Será o mesmo projeto beneficente com um álbum nos mesmos moldes do Hear'n'Aid, que fizemos em 1985, para a instituição "Rock Relief For Africa". Teremos uma música completa, de longa duração, com muitos músicos convidados e envolvidos, com diversos vocalistas, como Bruce Dickinson, e também guitarristas. O resto do álbum terá material inédito de outras bandas, como Doro, por exemplo, que já confirmou sua participação. No começo do ano que vem com certeza ele começará a ser produzido.
Você acredita que terá tempo para trabalhar na segunda parte do "Hear 'N' Aid"?
Dio: Para mim é uma certeza que farei, mas ainda não tive tempo suficiente para efetivamente começar os trabalhos. Todo mundo está com a agenda abarrotada e, além disso, não vou compor algo de baixa qualidade, um lixo desprezível só para dizer que a segunda parte foi lançada.
Considerando que você já tocou ao lado de muitos músicos de renome, quem você gostaria de ressuscitar para integrar um novo projeto "Hear 'N' Aid"?
Dio: Sempre declarei em minhas entrevistas que o único músico que gostaria de dividir o palco e tocar junto seria o Jimi Hendrix.
RAIO-X - RONNIE JAMES DIO:
Nome: Ronald James Padavona
Data de nascimento: 10 de julho de 1942
Data de morte: 16 de maio de 2010
Local de nascimento: Portsmouth, New Hampshire (EUA)
Cidade onde cresceu: Cortland
Ascendência: Italiana
Primeiros instrumentos: Trompete e contrabaixo
Esporte praticado na infância: Baseball
Heavy Metal ou Rock And Roll?: "Heavy Metal para mim, mas é tudo parte do Rock And Roll..."
The Vegas Kings (1957): "O começo"
Ronnie And The Rumblers (1957-1958): "Começando a ficar malvado"
Ronnie And The Redcaps (1958): "Cabeças-de-vento"
Ronnie Dio & The Prophets (1961-1967): "Cabeças-de-vento em dobro"
The Electric Elves (1967-1972): "Excelente material"
ELF (1972-1975): "O real começo do que acabei me tornando"
Butterfly Ball And The Grasshopper’s Feast: "Divertido de fazer, ainda mais por ter Roger Glover"
Rainbow ou Black Sabbath?: "Difícil. Não dá para comparar opostos"
Niji Productions: "Minha vida, cuida dos meus problemas e dirige minha carreira"
Dehumanizer ou Mob Rules?: "Dehumanizer"
Ronald Padavona: "Apenas um cara normal, que vive como todo mundo"
Site: www.ronniejamesdio.com